Alejandro Toledo toma posse sábado no Peru
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sábado, 21 de julho de 2001
Reynaldo Muñoz France Presse De Lima 
Os peruanos se reencontrarão com a democracia no próximo dia 28, quando o economista Alejandro Toledo tomará posse como presidente daquele país, numa cerimônia que marcará o fim de uma década dominada pelo autoritarismo do presidente destituído, Alberto Fujimori. Toledo é o primeiro personagem de origem indígena a chegar ao poder através das eleições. Seus compatriotas têm esperança de que o país consiga um clima de estabilidade política que permita combater problemas graves, como o desemprego.
Os peruanos querem deixar para trás 10 anos de um autoritarismo que, em sua fase final, foi marcado pela desordem política e por escândalos de corrupção que levaram ao colapso o regime de Fujimori, que dava início ao seu terceiro mandato e tentava completar 15 anos no poder.
A cerimônia de posse de Toledo contará com a presença de 10 a 12 chefes de Estado e diversas delegações de outros países. Ele substituirá o presidente do governo de transição, Valentín Paniagua, que, em sua condição de presidente do Congresso, tomou as rédeas do país em novembro passado, após a fuga de Fujimori para o Japão.
Paniagua realizou um processo eleitoral que mereceu o reconhecimento internacional, por sua transparência. As eleições se encerraram em 3 de junho, quando Toledo, candidato do centrista Peru Possível, venceu o social-democrata e ex-presidente Alan García, já no segundo turno.
Toledo é considerado o arquiteto da queda do fujimorismo, por ter liderado ano passado o protesto nacional contra o empenho de Fujimori em se manter no poder via reeleição, conquistada através de uma votação questionada por observadores nacionais e estrangeiros.
Os setores políticos concordam que, primeiramente, Toledo deve consolidar as instituições democráticas e aprofundar a luta contra a corrupção iniciada na gestão de Paniagua. Para as forças políticas peruanas, conseguiu-se destruir o eixo do governo autoritário de Fujimori, principalmente com a captura de Vladimiro Montesinos, ex-chefe do Serviço Secreto peruano e ex-assessor de Fujimori.
Uma das características da nova fase que se aproxima diz respeito às Forças Armadas, que estão distanciadas da tentação do poder e sujeitas ao poder civil, sob um esquema que tenta romper com a politização que as marcou durante a década de Fujimori e Montesinos.
Perna engessadaO presidente eleito do Peru, Alejandro Toledo, retornou ao país sexta-feira, depois de um giro por vários países da Europa em que foi muito bem recebido pelos líderes daqueles países. Mas chegou com a perna engessada, devido a uma queda sofrida na quinta-feira. Sua esposa informou, porém, que isto não modificará em nada a programação para a sua posse, no sábado.


