Alca discute subsídios americanos para agricultura
Buenos Aires - Os vice-ministros americanos deram início ontem a uma rodada de dois dias de negociações informais sobre a Área de Livre Comércio das Américas (Alca) em Buenos Aires, com o objetivo de reduzir as diferenças sobre a questão dos subsídios agrícolas até a reunião de 22 e 23 de abril em Puebla, México.
A polêmica sobre os subsídios dados pelos Estados Unidos à produção agrícola, levou a reunião anterior da Alca ao fracasso em Buenos Aires, há três semanas, obrigando a adiar o encontro de Puebla de 18 e 19 de março. Esta questão delicada estará no centro desta nova rodada de negociações no Palacio San Martín, admitiu ontem uma fonte da diplomacia.
Participam do encontro funcionários do Brasil, Argentina, Costa Rica, Chile, Equador, Estados Unidos, México, Paraguai, Uruguai, Venezuela e do Caricom (países caribenhos). O Brasil e a Argentina, maiores parceiros do Mercosul (também integrado pelo Paraguai e Uruguai), estão em uma queda de braço com os Estados Unidos por causa dos subsídios à agricultura, que alegam prejudicar suas exportações.
A Casa Branca, por sua vez, corre contra o tempo, já que deseja que a Alca entre em vigor a partir do dia 1º de janeiro de 2005. Enquanto isso, Mercosul e UE discutem de forma paralela uma aliança entre blocos, que pode afetar as negociações da área de livre comércio das Américas, afirmam analistas.
O diretor do Departamento de Negociações Internacionais do Brasil, Regis Arslanian, disse terça-feira que seu país tem a ''esperança'' de que haja uma mudança de posição de Washington em relação aos subsídios agrícolas.
Mas outros representantes alertam que as eleições presidenciais de novembro nos Estados Unidos podem pesar contra o pedido de abertura do mercado agrícola feito pelos sul-americanos.
O ex-presidente argentino e titular da Comissão de Representantes do Mercosul, Eduardo Duhalde, fez uma advertência neste sentido na sexta-feira passada. ''Quando há eleições (os políticos americanos) fazem campanha dizendo que não vão colocar em risco o trabalho de seus compatriotas com projetos de integração'', disse.
''As eleições presidenciais americanas (previstas para o dia 2 de novembro) são um obstáculo para a negociação da Alca'', afirmou Duhalde, depois de um seminário do Mercosul em Montevidéu. O chanceler argentino, Rafael Bielsa, questionou na semana passada as posições ''inflexíveis'' da Casa Branca nas negociações da área de livre comércio.
''Os Estados Unidos, o país mais desenvolvido e também um dos mais protecionistas de toda região, não consegue colocar no papel propostas realistas para os temas que mais preocupam os países como a Argentina, por exemplo, entre elas as questões relacionadas à agricultura'', declarou o chanceler.
Entidades anti-ALCA do Brasil e Argentina alertam, através de um comunicado conjunto, que se as negociações em Buenos avançarem, os governos Luiz Inácio Lula da Silva e Néstor Kirchner terão que ''pagar um preço alto perante seus povos''.
Segundo ''a Autoconvocatoria No al Alca'' da Argentina e a Campanha Brasileira contra a Alca, que fazem parte de uma ação continental contra a iniciativa, qualquer variante do acordo hemisférico promovido pelos Estados Unidos só pode significar mais pobreza e submissão para a população da região.





