Albright terá enormes problemas em Moscou
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quarta-feira, 19 de fevereiro de 1997
Christophe Beaudufe, da France Presse 
MOSCOU - A secretária de Estado americana, Madeleine Albright, que chega hoje à Rússia, deve enfrentar interlocutores russos opostos mais do que nunca à ampliação da Otan.
O presidente russo Boris Yeltsin, em uma conversa telefônica com o ministro alemão de Relações Exteriores, Klaus Kinkel, reafirmou ontem que a Rússia exigia, em caso de ampliação, a assinatura de um tratado juridicamente obrigatório que lhe permita controlar as atividades da Aliança na Europa do Leste.
Yeltsin deve receber Madeleine Albright amanhã no Kremlin.
Uma conversa entre Kinkel e o ministro russo de relaçôes exteriores, Evguenni Primakov, terça-feira à noite, durante uma entrevista à imprensa em Moscou, ilustrou o diálogo de surdos que dura meses. Continuamos discutindo, com o objetivo de aproximar nossas posições, disse Kinkel. Não negociamos para modificar nossa postura, não mudaremos nunca, replicou Primakov.
Para o cidadão russo, assim como para os militares, o nome da Otan lembra sempre o inimigo e a ameaça de décadas de guerra fria. A opinião pública entende, no entanto, a necessidade de uma ampliação da Aliança, enquanto os ocidentais, como Kinkel, repetem que a Rússia já não é vista no Ocidente como uma ameaça.
Não achamos que a Otan seja agressiva atualmente, admitiu o ministro da Defesa, Igor Rodionov, que recebeu Kinkel ontem, mas tememos que uma Aliança militarmente tão poderosa, próxima das fronteiras russas, queira ditar-nos suas condições políticas, econômicas ou de outro tipo.
Para os russos está em jogo nada menos que a estabilidade a longo prazo do Velho Continente. A expansão da Otan, cuja negociação durará no mínimo até a cúpula da Aliança em julho próximo em Madri, é uma decisão geopolítica de consequências imprevisíveis, estimou o deputado nacionalista Serguei Baburin, da ala dura do Partido Comunista.


