Albright reinicia conversações no Oriente Médio
A secretária de Estado norte-americana, Madeleine Albright, que chegou ontem ao Oriente Médio, enfrenta a difícil missão de reativar o processo de paz israelo-palestino.
Interrogada sobre o objetivo da data-limite de 13 de setembro para que se chegue a um acordo entre israelenses e palestinos, Albright disse que temos de trabalhar o mais intensamente que pudermos durante o verão.
Em um giro de três dias, Albright se reunirá com o primeiro-ministro israelense, Ehud Barak, e o presidente da Autoridade Palestina, Yasser Arafat, e provavelmente com o presidente do Egito, Hosni Mubarak.
Segundo a imprensa israelense, Albright tentará organizar um encontro de cúpula tripartite entre Ehud Barak, Yasser Arafat e o presidente norte-americano, Bill Clinton.
Se for realizado um encontro com essas características, se pedirá aos dois dirigentes (palestino e israelense) que façam coisas extraordinariamente difíceis, opinou anteontem o ministro israelense Haim Ramon.
Efetivamente, a divergência entre as duas partes continua sendo muito grande. As principais discordâncias são a questão de Jerusalém, as fronteiras da futura entidade palestina, as colônias judias e o direito de retorno a Israel dos refugiados palestinos de 1948.
Sobre Jerusalém, um tema muito delicado e cheio de simbolismos, as declarações subiram de tom nas últimas 24 horas. O primeiro-ministro israelense, Ehud Barak, que enfrenta a oposição nacionalista de direita, descartou ontem que essa questão seja abordada nas negociações atuais com a Autoridade Palestina, que protestou energicamente.
Nos últimos dias, vários ministros consideram impossível chegar a um acordo com os palestinos antes de setembro sobre Jerusalém e propuseram que esta espinhosa questão seja descartada no momento do pacote a ser negociado.
Goste ou não Barak, Jerusalém a Santa (Ak-Qods al-sharif) é a capital do Estado palestino, reagiu Arafat, que ontem propôs voltar a negociar na Suécia, acusando Israel de filtrar aspectos secretos das conversações.
Arafat também deve levar em conta uma opinião interna exasperada pela manutenção e inclusive desenvolvimto da colonização judia e que teme que o futuro Estado palestino se reduza a três redutos separados, segundo advertiu recentemente um documento firmado por 75 intelectuais e personalidades palestinas.





