Albânia teme 'guerra ampla' em Kosovo
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segunda-feira, 18 de janeiro de 1999
Reuter e France Presse 
O ministro de Relações Exteriores da Albânia, Paskal Milo, disse ontem que, diante das últimas e trágicas ocorrências em Kosovo, a região está à beira de uma guerra muito ampla. Ele se referia ao massacre de 45 civis de etnia albanesa, cujos corpos foram descobertos no sábado em Racak, um povoado da província sérvia. Organismos internacionais responsabilizaram as forças de segurança da Sérvia, que empreendem uma campanha para sufocar o movimento guerrilheiro Exército de Libertação de Kosovo (ELK), dominado pela maioria étnica albanesa que luta por independência.
Todos os albaneses, não só os de Kosovo, devem estar prontos para enfrentar essa situação, afirmou Milo. A tensão é tão extraordinariamente grande que se torna difícil encontrar espaço para um diálogo que seja construtivo e essa nova matança indica que o regime de Belgrado pretende experimentar contra os albaneses de Kosovo os métodos neofascistas de destruição em massa.
Milo voltou a fazer um chamado pela intervenção militar das forças da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) para deter o extermínio dos albaneses por parte dos sérvios em Kosovo.
Mas, apesar do massacre ter sido repudiado pela comunidade internacional, a polícia sérvia não parou com sua ofensiva contra os separatistas, atacando novamente, ontem, na região de Racak.
Monitores internacionais, habitantes do vilarejo e jornalistas foram forçados a deixar a área às pressas, em meio ao fogo de metralhadoras vindo de posições ocupadas pelas forças sérvias nas colinas das proximidades.
Em Washington, o presidente americano, Bill Clinton, acusou nominalmente a Sérvia pelo massacre. Em Bruxelas, os embaixadores da Otan iniciaram uma reunião de emergência para discutir a questão de Kosovo.
Em outubro, a aliança atlântica autorizou suas forças nos Bálcãs a atacar alvos militares da Sérvia, caso o regime de Belgrado não atendesse aos pedidos para que a questão de Kosovo fosse resolvida pacificamente. A Otan mantém na região sua chamada ordem de ativação, que a autoriza a usar a força, se necessário, para evitar ações de agressão da Sérvia.
O Tribunal penal internacional para a ex-Iugoslávia (TPI), que há dez meses está impedido por Belgrado de todo acesso a Kosovo, decidiu entrar em ação depois da descoberta da matança de albaneses.
A promotora do TPI, a canadense Louise Arbour, deve partir hoje da sede do tribunal em Haia para dirigir pessoalmente uma missão de investigação no local da matança.
Se conseguir chegar a Kosovo, será a primeira vez que a juíza e seus colaboradores terão acesso ao local, impedido pelas autoridades sérvias desde março do ano passado. Belgrado se recusa a reconhecer a competência do TPI sobre sua província separatista com população de maioria albanesa.
A matança de Racak entra claramente no mandato do TPI. Peço às autoridades da República federal da Iugoslávia que facilitem nosso acesso imediato ao local, declarou Louise Arbour anteontem à noite.
Encabeçando um grupo de seis pessoas e para não entrar em negociações de vistos com Belgrado, a magistrada chegará a Kosovo transitando hoje ao meio-dia por Skopje (Macedônia), onde a OSCE se encarregará dela.


