Albaneses voltam aos milhares e os sérvios fogem aos milhares
Associated Press
Cerca de 26 mil refugiados albaneses étnicos retornaram a Kosovo esta semana, enquanto 50 mil civis sérvios deixavam a província no mesmo período, temendo represálias dos rebeldes do Exército de Libertação de Kosovo (ELK), informou ontem o Alto Comissariado da ONU para Refugiados (Acnur).
O órgão voltou a advertir os refugiados para a existência de campos minados ao longo das fronteiras albanesa e macedônia.
Na fronteira albanesa - onde ocorreram violentos combates entre soldados sérvios e rebeldes do ELK -, pelo menos 50 minas explodiram nos últimos dias, alertou a unidade italiana das forças de paz (Kfor). Dois soldados ficaram gravemente feridos.
O Acnur acrescentou que só na segunda-feira 18 mil albaneses étnicos regressaram - 15 mil procedentes da Albânia e 3 mil, da Macedônia. A fila de automóveis, caminhões, ônibus e tratores atinge vários quilômetros dentro da Albânia. Cerca de mil pessoas passam por hora pelos postos fronteiriços na região albanesa de Morina. Segundo funcionários da ONU, muitos veículos estão atolando nas estradas lamacentas de Kosovo. O destacamento alemão que controla esse setor pediu ajuda à Otan.
Do lado sérvio, o Acnur registrou uma redução da fuga de civis para a Sérvia nas últimas horas. Apenas 480 chegaram ontem à Sérvia, segundo a porta-voz do Acnur, Judith Kumin.
Segundo ela, os refugiados sérvios de Kosovo receberam ontem as primeiras cem toneladas de ajuda humanitária da ONU - alimentos e remédios. Levamos suprimentos e medicamentos também a 20 mil albaneses étnicos de Malievo (sul), que passaram quase dois meses escondidos dos soldados sérvios em colinas.
A porta-voz do Acnur acredita que muitos dos 50 mil civis sérvios que deixaram Kosovo retornarão a suas casas. As autoridades sérvias dirigiram ontem novos apelos para que a população sérvia da província (200 mil, em comparação aos 1,8 milhão de albaneses étnicos) não abandonem suas propriedades.
O patriarca da Igreja Ortodoxa Sérvia, Pavle, de 84 anos, exortou a população a permanecer no solo sagrado e viajou para Kosovo. Ele disse que vai instalar a sede do patriarcado na cidade de Pec (oeste).
Por sua vez, o Partido Socialista sérvio (do presidente Slobodan Milosevic) lembrou aos sérvios que Kosovo é o berço religioso e cultural da Sérvia. Já o líder ultranacionalista Vojislav Seselj recomendou aos sérvios de Kosovo concentrar-se nas grandes cidades da província para proteger-se dos guerrilheiros do ELK. Seselj acusou o general britânico Michael Jackson, comandante da Kfor, de ajudar o ELK empurrar os sérvios para fora de Kosovo.





