Associated Press
De Pristina
Albaneses étnicos aparentemente pretendem expulsar sérvios e ciganos numa campanha de intimidação e de assassinatos que coloca em sério risco o objetivo ocidental de um Kosovo pacífico, multiétnico, denunciaram ontem dois grupos de direitos humanos.
Um relatório de 18 páginas do Human Rights Watch, baseado em Nova York, inclui assassinatos, sequestros e abusos que, segundo o grupo, não podem ser totalmente explicados pelo desejo de refugiados albaneses étnicos retornando de se vingar de atrocidades passadas.
As alegações foram corrobadas em trechos de testemunhos de ciganos, ou romas, colocados à disposição da Associated Press pelo Centro Europeu dos Direitos dos Romas.
Os dois grupos implicaram o rebelde Exército de Libertação de Kosovo na maioria dos abusos. Eles também afirmaram que a Otan e as Nações Unidas parecem estar mal preparadas para parar com a violência nas sete semanas desde que elas entraram em Kosovo.
O relatório tem nefastas implicações para o Ocidente, que garantiu que o objetivo da campanha de bombardeios de 78 dias da Otan era garantir um Kosovo pacífico, etnicamente diverso.
Abusos citados pela Human Rights Watch vão de o assassinato a tiros de 14 fazendeiros sérvios num campo de trigo em 23 de julho, a ameaças contra três idosas sérvias, algumas vezes com armas apontadas, por não outra razão aparente do que a decisão delas de ficarem na vila delas depois que seus vizinhos fugiram.
A Human Right Watch também afirmou que a Kfor, a força de paz da Otan, parece não ser adequada para trabalho de polícia. Oficiais da Otan reconheceram a necessidade de uma força policial internacional - planos da ONU pedem por 3 mil a ser estabelecida em breve - mas defenderam seu trabalho.
‘‘Temos implementado leis e ordens básicas’’, disse ontem o porta-voz da Kfor, Roland Lavoie, destacando que mais de 700 mil refugiados retornaram, o índice de homicídios foi reduzido à metade e as pessoas estão voltando ao trabalho. ‘‘Mas não podemos ser complacentes. Sem a presença da Kfor, a situação teria sido pior’’.
A Human Rights Watch não chegou a acusar o ELK de atrocidades específicas, mas afirmou que ‘‘a frequência e severidade de tais abusos jogam sobre a liderança do ELK a responsabilidade de tomar ações rápidas e decididas para evitá-las’’.
Uma vítima citada pelo Centro Europeu de Direitos dos Romas, baseado em Budapeste, disse que foi levada para uma sala na vila de Drenovce, nas proximidades da fronteira com a Albânia, para ver um companheiro cigano que havia sido violentamente espancado.
Líderes do ELK negaram novamente qualquer envolvimento em abusos e prometeram trabalhar com a Otan.
Sublinhando a situação, foram noticiados outros assassinatos ontem, incluindo a morte de uma mulher de 90 anos em Pristina. Segundo a agência de notícias estatal iugoslava Tanjug, ela foi encontrada estrangulada na banheira de seu apartamento. A Kfor informou que dois albaneses foram detidos em conexão com o caso.

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