Poderia ter sido pior, mas não muito mais.
Depois de 17 dias de negociações indiretas por intermédio de mediadores internacionais em um castelo nas proximidades de Paris, nem os sérvios nem os albaneses étnicos estavam dispostos a assinar um acordo político sobre autonomia em Kosovo, ontem.
Outra conferência foi marcada para o mês que vem com a finalidade de discutir a questão crucial da implementação militar de qualquer autonomia para a província sulista sérvia.
Enquanto isto, o banho de sangue continua. Milhares de refugiados albaneses étnicos partiram de suas casas desde que as conversações em Rambouillet começaram, e uniram-se a cerca de 250.000 pessoas que ficaram desabrigadas em um ano de guerra nos altamente inflamáveis Bálcãs.
Pelo menos 2.000 pessoas foram mortas desde que o presidente iugoslavo, Slobodan Milosevic, lançou uma repressão contra guerrilhas separatistas. Parece provável que mais combates ocorrerão nas três semanas de vazio político antes da próxima conferência.
Mesmo assim, o Grupo de Contato de seis nações proclamou que havia alcançado um acordo sobre uma substancial autonomia para Kosovo e tentou manter as aparências falando sobre, no máximo, um acordo parcial. ‘‘Salvamos o que pudemos. Não se trata de paz no nosso tempo, mas também não foi um completo fiasco’’, disse uma autoridade britânica.
A secretária de Estado norte-americana Madeleine Albright, que investiu substancial prestígio e tempo tentando persuadir os albaneses étnicos a aceitar um acordo dando a eles uma autonomia protegida pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) mas não a independência, tentou manter a aparência frente ao semifracasso.
Ela disse que o impasse em Kosovo foi quebrado decisivamente e a ameaça de bombardeios da Otan contra a Sérvia mantém-se intacta se os albaneses étnicos aceitarem o acordo e os sérvios o recusarem.

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