Paris - A morte do chefe do braço iraquiano da rede Al-Qaeda, Abu Mussab al-Zarqawi, provocou ontem uma enxurrada de comentários inflamados e vingativos de vários islâmicos em páginas da Internet, afirmando que ''milhares de Al-Zarqawis aparecerão'' para continuar a ''Jihad''.
''A morte como mártir do nosso emir apenas atiçará o fogo contra os inimigos de Alá. Nossa nação é prolífica. Ela gerou milhares de Al-Zarqawis'', escreve a revista eletrônica ''Sada al-Jihad''.
Neste primeiro comunicado, a revista ligada à rede de Osama bin Laden propôs dedicar sua próxima edição ao falecido Al-Zarqawi.
os comentários surgiram pouco depois do anúncio feito pelo premier do Iraque, Nuri al-Maliki, de que Al-Zarqawi tinha sido ''eliminado'' em uma operação conjunta de iraquianos e americanos contra seu bastião, 8 km ao norte de Baaquba (norte de Bagdá).
Uma outra nota, de um grupo que se apresentou como os ''Filhos do Movimento Islâmico na Palestina'', convoca ''os irmãos do braço da Al-Qaeda no Iraque a golpear os inimigos de Alá no mundo todo, começando pelo Afeganistão, Chechênia, Iraque e Palestina''.
Eles o comparam ao fundador e ao dirigente do movimento radical islâmico palestino do Hamas, xeque Ahmed Yassin e Abdel Aziz Rantissi, respectivamente, mortos em ataques israelenses em 2004.
''Al-Zarqawi morreu como mártir, a exemplo do xeque Ahmed Yassin e de Abdel Aziz Rantissi (...) mas a 'Jihad' não vai parar. Centenas de milhares de heróis vão imitar seus passos'', escreve o grupo, manifestando-se pela primeira vez na Internet.
O islâmico kuwaitiano, xeque Hamed ben Abdullah al-Aali, disse que ''um leão caiu como mártir, mas (o presidente americano, George W.) Bush deve saber que milhares de Al-Zarqawis aparecerão. Os tiranos não têm de se alegrar. Pelo contrário, é a vitória que se anuncia. Nossa nação encerra milhões de Al-Zarqawis''.
As declarações redobraram de intensidade e fervor ''jihadista'' após a confirmação da morte de Al-Zarqawi por meio da rede local da Al-Qaeda.
Vários sites abriram ''registros de condolências''. Outros, por sua vez, lançaram ''registros de felicitações''. Alguns internautas até pediram aos fiéis que organizem ''orações do ausente'' nas mesquitas.
A web também foi inundada de fotos de Al-Zarqawi, que surpreendeu em abril passado ao aparecer, pela primeira vez, em um vídeo disponibilizado on-line, prometendo vencer os Estados Unidos, alguns dias após um acordo sobre a formação de um governo iraquiano.

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