São Paulo - O segundo tiro saiu pela culatra. Em vez de diminuir tanto o recrutamento de terroristas pela rede Al Qaeda como os atentados contra alvos ocidentais, a invasão anglo-americana do Iraque aumentou o problema. Hoje a rede tem 18 mil terroristas em potencial espalhados por mais de 60 países. Além disso, o ataque prejudicou a contenção da proliferação de armas de destruição em massa.
Essas são avaliações de relatório divulgado ontem em Londres pelo Instituto Internacional para Estudos Estratégicos (IISS, na sigla em inglês). O instituto edita um anuário clássico sobre forças militares, ''The Military Balance'', e também um relato anual das questões estratégicas mais importantes, ''Strategic Survey''.
O fracasso no Iraque contrasta com a operação no Afeganistão em 2001, mais bem-sucedida, o primeiro grande tiro na guerra ao terror. O país deixou de ser a base da rede terrorista e dos seus aliados fundamentalistas do Taleban.
''Desde que Bush assumiu o poder, e sobretudo desde a intervenção no Iraque, a imagem mundial dos EUA atingiu o fundo do poço. Em muitos lugares os EUA estão sendo vistos com suspeita devido a seu unilateralismo'', diz o ''Strategic Survey 2003/4''.
A intervenção no país governado pelo ditador Saddam Hussein ''dominou todo o espectro'' das questões mundiais, diz o relatório, criando um ''choque cultural estratégico''. Em termos da luta contra o terror, o ataque diluiu os esforços da coalizão mundial ''que parecia tão formidável após a intervenção no Afeganistão''.
O ''Survey'' tem uma detalhada análise das táticas americanas de ''contra-insurgência'' adotadas no Iraque. O erro básico foi devotar muito mais atenção à tomada do país do que à sua ocupação. O Exército dos EUA sempre se preparou mais para uma guerra convencional. Essa era a grande preocupação da Guerra Fria, uma Terceira Guerra Mundial contra os soviéticos na Europa.

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