Nicósia - A rede terrorista Al-Qaeda responsabilizou-se pelos atentados cometidos sábado contra duas sinagogas em Istambul, que causaram a morte de pelo menos 23 pessoas, em texto enviado ontem ao jornal árabe Al-Qods Al-Arabi, informou a direção do diário à AFP.
  ‘‘As Brigadas do mártir Abu Hafs al-Masri deram um golpe mortal depois de vigiarem os agentes de inteligência judeus e assegurar-se de que cinco deles estavam em duas sinagogas no centro da cidade de Istambul’’, indica o texto.
  Uma cópia foi enviada pelo jornal Al-Qods Al-Arabi aos escritórios da AFP em Nicósia.
  O comunicado, datado de sábado, mesmo dia do duplo atentado em Istambul, foi enviado ontem por e-mail ao jornal árabe editado em Londres.
  Nele, a Al-Qaeda ameaça cometer mais ataques ‘‘em todo o mundo’’.
   Abu Hafs al Masri, chefe das operações militares da Al-Qaeda, morreu nas operações do exército americano no Afeganistão em outubro de 2001.
  ‘‘Dizemos ao criminoso Bush e a seus lacaios árabes e estrangeiros, em particular Grã-Bretanha, Itália, Austrália e Japão, o seguinte: os atos não se limitarão a Bagdá, Riad, Istambul, Yerba, Nassiriya ou Jakartam, mas ao centro da capital da tirania, como poderão ver com os próprios olhos’’, acrescenta o texto, referindo-se a Washington.
  O comunicado afirma que a Al-Qaeda exige que os Estados Unidos ‘‘ponham fim à guerra contra o islã e os muçulmanos em nome da luta antiterrorista e que desimpeça todas as terras muçulmanas profanadas pelos judeus e os americanos, entre elas Jerusalém e Caxemira’’.
  A mensagem exige também a libertação dos presos da base americana de Guantánamo (ilha de Cuba) e do xeque Omar Abdel Rahmán, guia espiritual do    grupo egípcio Gamaa Islamiya, preso nos Estados Unidos.
Templos lotados Os ataques ocorreram praticamente no mesmo horário (às 9h30 em Istambul e 5h30 em Brasília). Os templos – Neve Shalom, o maior da cidade, e Bet Israel no bairro de Sisli – estavam lotados devido às orações do sabá (dia sagrado de orações dos judeus, do pôr-do-sol de sexta-feira ao de sábado). Em Neve Shalon, testemunhas relatam que cerca de 300 pessoas estariam no local por causa da comemoração de um bar-mitzvá (cerimônia que marca a maioridade religiosa judaica, aos 13 anos).

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