Al Gore e Bush largam como favoritos
Monica Yanakiew
Agência Estado
De Des Moines, EUA
Cinco dos seis homens que esperam conquistar a presidência dos Estados Unidos, em novembro, gastaram mais dólares e até o último minuto desta segunda-feira para atrair os votos de 180 mil habitantes de Iowa 10% do eleitorado do pequeno estado rural e menos de 1% dos eleitores da única superpotência mundial.
As últimas pequisas realizadas antes da votação, a ser iniciada ontem às 23 horas de Brasília, indicavam que os favoritos eram o vice-presidente Al Gore, do Partido Democrático, e o governador do Texas, George Bush, do Partido Republicano. Ambos teriam 20% de votos a mais que seus principais adversários. Mas não é isso que importa.
Essa votação não serve para indicar quem será o vencedor, mas para entender que valores são defendidos por estes homens, explicou o governador de Iowa, Tom Vilsack. No resto do país eles podem dizer o que pensam em 30 segundos de propaganda de televisão, mas aqui eles são obrigados a bater nas portas das casas e responder às perguntas das pessoas, disse.
Iowa é o primeiro dos 50 estados norte-americanos a realizar prévias (quando os eleitores votam para escolher os candidatos dos dois grandes partidos). Um colégio eleitoral de 538 membros decidirá entre os dois finalistas em novembro. E nesse momento, é mais importante ser o favorito na Califórnia ou em Nova York (que tem 54 e 33 eleitores respectivamente) do que em Iowa ou New Hampshire (que tem apenas sete e quatro eleitores cada, respectivamente).
Mas, justamente por serem estados pequenos, Iowa e New Hampshire são os únicos onde os eleitores tem contato direto com os candidatos.
O que acontece nessas duas primeiras prévias dá uma noção ao resto do país de como o povo está reagindo aos candidatos e limita a competição, explicou Vilsack, do Partido Democrata.
Ou seja, Iowa e New Hampshire (cuja prévia será no dia 1º de fevereiro) servem para reduzir a lista de pré-candidatos e, com isso, o dinheiro gasto em campanha. Calcula-se que este ano, na campanha para as eleições presidenciais e do Congresso serão gastos US$ 3 bilhões mais que os US$ 2,1 bilhões gastos em 1996, que já foram considerados um exagero.
Por mais que Al Gore e George Bush sejam os favoritos e tenham o apoio das máquinas de seus respectivos partidos, o importante será medir a distância entre eles e os outros pré-candidatos.
O único adversário de Gore é o ex-senador Bill Bradley, de New Jersey. Por estar mais à esquerda do vice-presidente, ele tem atraído votos dos membros mais politicamente ativos de seu partido (que são os que votam).
Isso obrigou Gore a gastar mais recursos na batalha interna de seu partido (o que significa que terá menos dinheiro para a verdadeira campanha, contra o adversário do Partido Republicano) e a visitar mais escolas, fazendas e casas de família em Iowa. Bush fez o mesmo.
Nos comícios, ele explicou que corre o risco de perder, se todos acharem que ele já ganhou as prévias e não enfrentarem o frio para saírem de casa e votar nele. Para Bush o candidato que mais contribuições recebeu até agora dinheiro não é problema. Comparado com Gore (considerado mais preparado, mas menos à vontade), ele demonstrou ter uma maior capacidade de comunicação com o povo.
O que todos querem saber é como seu principal adversário, o senador John McCain, de Arizona, se sairá em New Hampshire o segundo teste, dessa campanha. Dos seis pré-candidatos republicanos, ele é o único que não fez campanha em Iowa, alegando não ter recursos. Preferiu investir tudo num estado mais industrializado que Iowa e onde a direita cristã tem menos força.
Três homens, aliás, ganharam força com a direita cristã em Iowa o que significa que podem querer manter suas candidaturas durante mais tempo. Alan Keyes (único pré-candidato negro, que fala seis línguas, tem um doutorado da Universidade de Harvard, e é considerado o melhor orador) conquistou muitos simpatizantes nas últimas semanas. Ou seja, mais contribuições e atenção das grandes cadeias de televisão nacional.
A direita também apoia o milionário Steve Forbes e o ativista conservador Gary Bauer. O único pré-candidato republicano que talvez se sinta obrigado a abandonar a campanha logo é o senador de Utah, Orrin Hatch.





