Ajuda humanitária cruza fronteira de Brasil com Venezuela, diz Araújo
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sábado, 23 de fevereiro de 2019
Felipe Pontes<br>Agência Brasil 

Brasília - Um dos dois caminhões com ajuda humanitária enviado pelo Brasil e pelos Estados Unidos para a Venezuela cruzou a fronteira em Pacaraima (RR), neste sábado (23), e encontra-se em território venezuelano, afirmou o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo. "Poucos minutos atrás tivemos a notícia de que o primeiro caminhão com ajuda humanitária brasileira e americano cruzou a fronteira e entrou no território venezuelano e agora está se vendo como vai ser o descarregamento do caminhão", disse Araújo em um vídeo publicado por volta das 14h45 no perfil oficial do Itamaraty. "Esperamos que essa ajuda chegue efetivamente ao povo venezuelano", acrescentou.
Os dois caminhões com ajuda humanitária, com placas e motoristas venezuelanos, partiram na manhã deste sábado, percorrendo os 214 quilômetros até Pacaraima, onde a fronteira do lado venezuelano foi fechada na quinta-feira à noite pelo regime do presidente Nicolás Maduro.
Poucos minutos após o anúncio de Araújo, o presidente Jair Bolsonaro publicou em seu perfil oficial no Twitter uma mensagem em espanhol de apoio ao povo venezuelano: "Fuerza a nuestros hermanos venezolanos! ¡Dios al mando!", escreveu.
RAZÃO INTERVENCIONISTA
O ministro das Relações Exteriores disse que a ação do Brasil na ajuda humanitária "é parte da tradição brasileira de cooperar em favor da democracia, em favor do bem-estar de um povo irmão, em favor da solidariedade internacional". O chanceler nega que a operação de levar alimentos e medicamentos aos venezuelanos tenha qualquer razão intervencionista. Segundo ele, Nicolás Maduro usa o argumento de risco de interferência como "cortina". Araújo salienta que "o conceito de não interferência não existe para isso. Existe para assegurar a cooperação, a estabilidade internacional e não para permitir que um regime ditatorial mate de fome seu povo".
Em entrevista coletiva pela manhã na sede da Polícia Federal em Pacaraima, ele ressaltou que o Brasil e outros países agem em coordenação com o governo de Juan Guaidó, presidente da Assembleia Nacional Venezuelana que se autodeclarou presidente encarregado da Venezuela. "Nós estamos agindo em apoio ao governo legítimo da Venezuela, constitucional conforme ditames da Corte Suprema Venezuela, e que nós reconhecemos assim como dezena de países reconheceram. Isso é um esforço de apoio a um governo legítimo de um país amigo que se confronta com um regime ditatorial usurpador, com todos elementos de crueldade e de brutalidade contra o povo venezuelano", explicou.
O chanceler brasileiro tem como perspectiva "uma nova relação com a Venezuela". "No futuro, quando forem escrever a história, vão ter que dizer isso: 'em poucos dias, um governo interino, com as dificuldades que a gente conhece, conseguiu distribuir o provimento da ajuda humanitária, como primeiro ato de mudança na Venezuela'".
CLIMA DE TENSÃO
Nos arredores da fronteira, o clima é de tensão, com o registro de manifestações de populares que defendem a entrada da ajuda humanitária na Venezuela. Imagens de TV mostraram o uso de gás lacrimogêneo pelas forças de segurança venezuelana para dispersar manifestantes.


