Paris - A hipótese de que uma falha técnica no Airbus A330-200 tenha sido determinante para a queda do voo AF447 no último domingo cresceu ontem, em Paris. Em comunicado enviado aos pilotos - e não distribuído à imprensa -, a Air France informou que está substituindo sensores de velocidade das aeronaves que realizam voos de médio e longo cursos, a exemplo da ligação intercontinental Rio-Paris.
A nota foi divulgada um dia depois de a companhia Airbus e de o Escritório de Investigações e Análises sobre a Aviação Civil (BEA) confirmarem que uma ''incoerência da velocidade aferida'' foi verificada quando do desastre no Atlântico.
A revelação da substituição das peças foi feita pela agência Associated Press (AP). Segundo o memorando, a substituição dos ''pitots'' - três independentes no caso do A330 - seria encerrada ''nas próximas semanas''. Esses tubos medem o deslocamento do ar, instruindo a velocidade da aeronave.
Consultada pela reportagem, a Air France se recusou a fornecer detalhes, sob a alegação de que a companhia ''não comenta informações internas''. O porta-voz, contudo, reconheceu de forma indireta a existência do comunicado. ''Trata-se de um documento interno destinado aos pilotos'', reafirmou.
A troca dos equipamentos levanta ainda mais dúvidas sobre a hipótese de que uma pane eletrônica esteja entre as origens do acidente. No dia 4, o jornal ''Le Monde'' revelou que as investigações da BEA haviam identificado um ''erro de velocidade'' do aparelho no momento do acidente. Horas depois, o escritório emitiu um comunicado confirmando a versão.
De sua parte, a Airbus confirmou ontem ter enviado às companhias aéreas que possuem aviões da marca um Telex de Informação sobre o Acidente (Accident Information Telex, AIT) orientando os pilotos - de todos os modelos, e não apenas o A330 - a manterem a velocidade e a estabilidade durante tempestades. ''Enviamos a AIT às companhias e tivemos o aval do BEA para fazê-lo'', reconheceu a porta-voz da Airbus, Claudia Mller. ''Foi a partir das informações obtidas pelo BEA que decidimos fazê-lo.''
Entretanto, segundo a Airbus, a investigação sobre o acidente ainda não pôde responder se a velocidade era mais alta ou mais baixa que a sugerida pelo fabricante. ''Esta é uma informação que precisa ser esclarecida'', disse Claudia. ''A distribuição da AIT foi apenas uma medida de precaução. Não podemos ir além e especular sobre as causas do acidente porque esta não é nossa atribuição.''
A constatação do ''incoerência da velocidade aferida'' foi depreendida basicamente da análise das 24 mensagens automáticas enviadas pela aeronave entre 23h10 e 23h14 de domingo, horário de Brasília, quando se estima que o acidente tenha acontecido. Nem a Airbus, nem o BEA, porém, forneceram uma explicação técnica sobre o significado da falha, o que se espera seja feito hoje. Via de regra, a publicação da AIT é um ato protocolar após acidentes e não implica o reconhecimento de nenhuma responsabilidade na causa do desastre. Mas o erro na velocidade do voo AF447 reacendeu as suspeitas de falha eletrônica.

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