Viena - A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) continua sem poder provar que o programa nuclear iraniano é puramente pacífico, como afirma Teerã, reconheceu seu diretor, Mohamed ElBaradei, que se mostrou favorável a uma saída negociada para a crise.
O Conselho de Governadores dos 35 Estados membros da Agência da ONU, com sede em Viena, abriu neste mesmo dia sua reunião de primavera com a prioridade de analisar a situação no Irã depois de sua recusa em cessar o enriquecimento de urânio, procedimento que pode levar à fabricação de uma bomba nuclear.
ElBaradei informou aos governadores sobre sua visita no dia 13 de março à Coréia do Norte, onde discutirá as modalidades para desmantelar as instalações nucleares norte-coreanas em troca do fornecimento de petróleo, compromisso aceito pelo regime comunista de Pyongyang.
Na abertura do conselho, ElBaradei destacou sua ''convicção'' de que apenas a ''negociação'' permitirá solucionar as questões nuclear iraniana e norte-coreana.
O diretor reconheceu, no entanto, que a AIEA, que investiga há quatro anos as acusações de Washington de que Teerã desenvolve em segredo armas nucleares, está atualmente um pouco paralisada.
A AIEA foi ''capaz de verificar'' que o material nuclear declarado não foi desviado para fins militares, mas foi ''incapaz de reconstruir plenamente a história do programa iraniano e de alguns de seus componentes por falta de transparência e cooperação da parte do Irã'', acrescentou o diretor da agência.
''O Irã nunca abandonará seu direito inalienável de usar pacificamente a energia nuclear, embora esteja disposto a se sentar à mesa de negociações para encerrar todas as ambiguidades sobre suas atividades nucleares'', continuou Soltanieh.
À pergunta da rádio alemã Deutsche Welle sobre a proposta da AIEA de colocar câmeras no centro subterrâneo de Natanz, onde já estão instaladas 656 centrífugas para enriquecer urânio, Soltanieh respondeu que ''a Agência em breve se transformará na filial da CIA ou de outras agências de espionagem''.

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