LONDRES - As boas notícias sobre novas drogas, capazes de frear o vírus da Aids, estão criando um injustificado sentimento de segurança. O número de pessoas que admite manter relações sexuais sem a proteção da camisinha aumentou nos últimos meses. Esses fatos foram lembrados de forma preocupada ontem em várias partes do mundo, durante as manifestações do Dia Mundial de Luta contra a Aids.
Muitas homenagens foram organizadas em vários países para lembrar os milhões de vítimas de um dos maiores males do século 20. Alguns especialistas revelaram que temem uma redução nos esforços para se obter recursos destinados a pesquisas científicas e campanhas publicitárias sobre sexo sem riscos.
Nas manifestações de ontem, que mobilizaram milhões de pessoas ao redor do mundo, a mensagem predominante foi de que a prevenção é vital e não deve ser abandonada, apesar dos avanços promissores no tratamento da Aids. ‘‘Não é hora de relaxar’’, disse o médico Peter Pio, diretor da Organização das Nações Unidas para a Aids, lembrando que não há cura para a doença ainda, apesar da existência de novos tratamentos. ‘‘A epidemia ainda está se expandindo pelo mundo e estima-se que cerca de 8.500 pessoas são infectadas pelo vírus a cada dia.’’
Manifestantes em Bangladesh, Inglaterra, África do Sul e França lembraram que a doença não conhece fronteiras. ’’ A Aids é um problema global, nenhuma região ou país está imune’’, afirmou o secretário-geral da ONU, Boutros Boutros-Ghali, lembrando que 22 milhões de pessoas vivem com o vírus HIV, causador da doença, em todo o mundo, e que 6 milhões já morreram em consequência da doença.
Uma esquadrilha da fumaça francesa desenhou nos céus de Paris, uma coluna de fumaça vermelha em forma espiral, lembrando o símbolo das campanhas contra a doença. Em outras cidades do país, um grupo de prefeitos distribuiu 100 mil camisinhas de graça para a população e realizaram manifestações e semniários sobre a doença.
Sem proteção Na África do Sul, contrariando as instruções da Igreja Católica, que é contra o uso de preservativos, o arcebispo católico Desmond Tutu exortou os sul-africanos a tomar precauções e usar camisinhas nas relações sexuais, ‘‘se não seguem as doutrinas católicas’’.
Em São Francisco, que é considerada a capital gay americana, pelo menos um em cada quatro homens homossexuais teve relações sem nenhuma proteção no último ano, de acordo com um estudo realizado pela Associação Norte-americana de Saúde Pública. Em Miami, a cidade preferida pelos gays brasileiros que viajam para os Estados Unidos, a pesquisa da entidade mostrou uma relação de três para cada quatro casos de sexo sem preservativos - a taxa mais alta daquele país.
Em Londres, a princesa Diana, que há anos é patrona de instituições que prestam assistência a doentes de Aids ou realizam pesquisas pela cura e tratamento, declarou que as estatísticas alarmantes reforçam a importância da educação como forma de prevenir a contaminação.
Na África, continente que abriga 65% dos doentes de Aids do mundo, as comemorações e mobilizações para lembrar a data foram fracas e não se registraram manifestações de grande envergadura. Os países África do Sul, Uganda, Zimbábue e Bangladesh ficaram entre os poucos africanos que realizaram eventos para marcar o dia.

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