Aids fará 30 milhões de órfãos na África
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quinta-feira, 13 de julho de 2000
Associated Press De Durban 
Cerca de 30 milhões de crianças africanas perderão para a Aids pelo menos um de seus genitores por volta de 2010, informou ontem a Agência Norte-Americana para o Desenvolvimento Internacional. Como resultado, a probabilidade de ocorrer agitação e instabilidade sociais é muito significativa, conclui John Williamson, co-autor de um estudo sobre órfãos lançado ontem pela agência dos EUA na 13ª Conferência Internacional da Aids, que está sendo realizada em Durban, África do Sul.
Atualmente, há cerca de 16 milhões de criança com menos de 15 anos que já perderam pelo menos um de seus pais na África por causa da doença. Cerca de 90% destes órfãos estão ao sul do Deserto do Saara. Segundo o estudo, intitulado Crianças à Margem 2000, este número subirá para 30 milhões em todo o continente, sendo que 28 milhões estarão na região subsaariana.
Muitas das crianças que já são órfãs não têm ninguém que cuide delas e muitas vezes são simplesmente abandonadas nas ruas. Há crianças que não comem nada durante todo o dia e nunca vão à escola, disse Grace Mguni, que gerencia projetos para órfãos na periferia de Johannesburgo. Segundo ela, mesmo antes da morte de seus pais, muitas crianças são forçadas a deixar a escola para trabalhar quando seus genitores começam a apresentar sintomas da doença.
A Aids está mudando o cenário social na maioria dos países afetados, disse ela. Está criando uma catástrofe infantil. Segundo Mguni, as mortes de tantos pais irá romper o intercâmbio entre gerações, forçando os velhos da África que são ajudados por seus filhos não só a retornar ao trabalho para se sustentarem como também adotar seus próprios netos.


