Aids avança nos países da Ásia
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terça-feira, 06 de julho de 2004
Agência Folha 
São Paulo - Enquanto cresce o número de pessoas infectadas pelo vírus da Aids no mundo, a Ásia, com 60% do população mundial, tem um dos maiores índices de aumento de infecções pelo HIV, segundo um relatório divulgado ontem pelo Unaids (Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids).
''Não estamos avançando, de jeito nenhum'', afirmou o médico Peter Piot, diretor-executivo do Unaids.
''Nunca tanta gente foi infectada pelo HIV, nunca tanta gente morreu, e há uma globalização da epidemia fora da África'', declarou.
Cerca de 38 milhões de pessoas no mundo vivem com HIV/Aids, incluindo 5 milhões que foram infectadas no ano passado, segundo o relatório. A África subsaariana, com 25 milhões de casos estimados, ainda é a região mais afetada, com mulheres e jovens sendo os mais vulneráveis à infecção.
Mulheres- ''Globalmente metade de todas as pessoas com HIV são mulheres'', afirmou Piot.
A epidemia matou 20 milhões de pessoas em duas décadas. Dos estimados 6 milhões de pessoas que precisam de tratamento em países em desenvolvimento, apenas cerca de 440 mil recebem os medicamentos.
''A Aids, sem dúvida, ainda é a maior epidemia na história humana'', afirmou Piot durante a entrevista coletiva para lançar o relatório, divulgado antes da 15 Conferência Internacional de Aids, em Bangcoc (Tailândia), de 11 a 16 de julho.
O relatório adverte que a expansão da epidemia na Ásia, onde 7,4 milhões de pessoas têm o HIV, pode ter implicações globais. ''A Ásia está agora onde a África estava 15 anos atrás'', declarou Piot.
''O crescimento da epidemia vai depender em grande parte da reação dos países. Vão esperar, como a África, até que haja um grande número de mortos ou vão agir agora?''
Ásia - China, Indonésia e Vietnã têm os maiores índices de aumento de infecção na Ásia, enquanto a Índia tem o maior número de pessoas vivendo com HIV, com exceção da África do Sul.
Na África, porém, os índices de HIV parecem estabilizados. ''Não é uma boa notícia porque isso significa que há tanta gente morrendo quanto novas infecções'', disse Piot. ''Mas ao menos não continua a crescer como no Leste Europeu e na Ásia.''
O relatório prevê que nos países mais afetados do leste e do sul da África, se os índices de infecção continuarem e os tratamentos em larga escala não forem disponíveis, até 60% dos adolescentes que têm atualmente 15 anos não vão completar 60 anos.


