Aids avança entre as mulheres
''Dos 700 adultos com HIV/Aids que acompanhamos, a maioria já é de mulheres, quase todas infectadas por seus maridos'', diz Robinson Fernandes Camargo, diretor do Serviço Ambulatorial Especializado em DST/Aids Herbert de Souza Betinho, de Sapopemba, zona leste de São Paulo.
Estudos que o professor Ricardo Dias, chefe do Laboratório de Retrovirologia da Unifesp, vem fazendo em centros de testagens de Santos também demonstram o crescimento da epidemia entre as mulheres. Entre as infecções recentes, 60% são mulheres.
Esses números sintetizam o que Bancoc está discutindo sobre a periferia do mundo: o aumento da epidemia entre heterossexuais na África e na Índia, o uso de drogas injetáveis na Europa do Leste e na Ásia, o avanço da doença entre entre as mulheres e o aumento de infecção da mãe para o filho.
''A epidemia está provocando na África um hiato de gerações'', diz Paulo Teixeira, que coordenou o programa de Aids para a Organização Mundial da Saúde. Ao dizimar uma geração inteira, não haverá o pai ou a mãe para passar cultura, valores e tradições para os filhos. Isso nunca ocorreu na história da humanidade, dizem os especialistas. Sem dirigentes, professores e médicos, a segurança dos países será gravemente abalada.
Em Angola, o presidente José Eduardo Santos assumiu a luta contra a Aids e convidou o infectologista David Uip, diretor do Incor, para coordenar um programa de cooperação. ''Ainda nem sabemos quanto são os infectados. Começamos pela transmissão vertical e pelos parceiros das gestantes'', diz Uip.
Diferentemente do Brasil, lá não se adota cesárea para gestantes infectadas -porque há risco para o médico- nem se desaconselha o desmame dos bebês, pois não há como esterilizar o leite animal. ( Agência Folha)





