Paris- No dia em que o Ministério da Justiça apresentou, em Brasília, o convênio para distribuição de lotes de armas não-letais às polícias do Rio, de São Paulo e de Minas Gerais, a organização não-governamental (ONG) Anistia Internacional apresentou um relatório no qual reprova o uso de um dos equipamentos. O documento, chamado ‘‘Não letais?’’, aponta os riscos da pistola de impulsão elétrica - conhecida pela marca de seu fabricante: Taser -, que teria envolvimento direto na morte de 334 pessoas nos Estados Unidos desde 2001.
  De acordo com a Anistia Internacional, as mortes estariam ligadas ao uso da arma entre junho de 2001 e agosto de 2008. O relatório se apóia, entre outros recursos, em 98 relatórios de autópsias, investigações oficiais e até em informações dos familiares sobre histórico de saúde dos suspeitos mortos.
  ‘‘A Anistia Internacional reconhece a importância do desenvolvimento de opções de força não letais ou ‘menos letais’ para reduzir o risco de morte ou de ferimentos inerentes ao uso policial de armas de fogo ou de impacto, como cacetetes’’, explica o relatório. ‘‘No entanto, tem sérias preocupações sobre o uso de aparelhos de eletrochoque pelas forças da lei, em relação à sua segurança e ao desvio de abuso.’’
  A pistola Taser X26, a mais comum dentre as armas de impulsão elétrica, é usada em 65 países sob o argumento de evitar ferimentos fatais em suspeitos.
  Quando usada a distâncias inferiores a 7,6 metros, seu uso imobiliza a vítima por meio de um choque elétrico que afeta o sistema nervoso central e provoca contrações musculares involuntárias.
  Segundo testemunhos, o uso deste equipamento provoca dor semelhante à descrita por vítimas de determinadas práticas de tortura.

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