AI critica trabalho forçado no Brasil
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quarta-feira, 28 de maio de 2008
France Presse 
Londres- A Anistia Internacional (AI) afirmou que o sistema de trabalho forçado ainda impera no Brasil, inclusive nas crescentes plantações de cana-de-açúcar e usinas de etanol. Em seu relatório anual sobre direitos humanos, a AI voltou a expressar sua preocupação com a violência urbana brasileira, assim como a impunidade - como no caso do assassinato da missionária Dorothy Stang, a brutalidade policial e os conflitos no campo.
No informe, a organização diz que ''pessoas em comunidades marginalizadas continuam a viver em meio a níveis altos de violência causada tanto por gangues criminosas como pela polícia.''
A AI é enfática no que diz respeito às comunidades rurais. ''A violência rural prossegue, geralmente no contexto de disputas entre grandes fazendeiros e agricultores sem terras, povos indígenas ou quilombolas (integrantes de comunidades de antigos escravos fugitivos)'', afirma o documento.
''Aumentaram os desalojamentos forçados, geralmente acompanhados de ameaças e intimidações'', afirma a ONG, acrescentando que, segundo a Pastoral da Igreja Católica, entre janeiro e setembro de 2007, 2.543 famílias foram desalojadas das terras que ocupavam.
''Em todo o país foram denunciados casos de trabalhos forçados'', informa o texto, indicando que, segundo o Ministério do Trabalho, 185 empresas de 16 dos 26 estados brasileiros têm empregados em ''condições de exploração''.
Em março as autoridades ''resgataram'' 288 pessoas que realizavam trabalhos forçados em seis plantações de cana-de-açúcar no estado de São Paulo, segundo a AI.
O Brasil é o segundo maior produtor mundial de etanol e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva está empenhado em defender sua difusão em escala mundial por considerar isso uma alternativa para cortar a dependência do petróleo.


