Agravam-se conflitos na Macedônia
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domingo, 18 de março de 2001
Das Agências De Tetovo 
As forças da polícia macedônia combateram os rebeldes albaneses durante toda a madrugada de ontem nas colinas que dominam a cidade de Tetovo. Os rebeldes tentam atrair outros membros de sua etnia para a luta por maiores direitos na Macedônia. Enquanto isso o parlamento, depois de dois dias de sessões de emergência, pediu a seus cidadãos que conservem a calma. As instituições da Macedônia vão tomar as medidas adequadas para preservar a paz e a estabilidade no país, assinala uma declaração aprovada por uma ampla maioria de parlamentares macedônios na madrugada de ontem.
O parlamento pediu aos cidadãos que não saiam de casa e não cedam à desinformação e às pressões dos grupos armados. Enquanto os deputados se encontravam reunidos em Skopje, cerca de 3 mil habitantes de Tetovo manifestavam-se diante da sede do parlamento para exigir uma solução para a crise o mais rápido possível.
Pouco depois das 21 horas de anteontem, o presidente da Macedônia, Boris Trajkovski, saiu da sede do parlamento para falar à multidão. Trajkovski foi vaiado em várias oportunidades pelos manifestantes que gritavam: Queremos armas! Já esperamos demais!.
Estamos enfrentando grandes conflitos que só podem ser resolvidos mediante a razão e a firmeza. Vocês devem demonstrar que são razoáveis. Tetovo é uma cidade macedônia e continuará sendo, vocês devem voltar e viver junto com os albaneses, declarou o chefe de Estado.
Centenas de habitantes de Tetovo abandonaram suas casas desde o início dos conflitos, na quarta-feira passada, entre as forças governamentais e os combatentes do Exército da Libertação dos Albaneses da Macedônia (UCK). Cerca de 800 pessoas encontram-se refugiadas na Albânia, segundo uma fonte oficial.
As forças macedônias continuaram durante a noite de anteontem bombardeando posições da guerrilha albanesa, refugiada nas colinas que dominam Tetovo. Ontem pela manhã os guerrilheiros do UCK desceram as colinas e se encontravam no antigo bairro periférico de Koltuk, a oeste de Tetovo, onde estão posicionadas as tropas macedônias.
Apesar dos pesados ataques das forças governamentais, há evidentes sinais de que os insurgentes já conseguiram atrair para sua causa novos membros de etnia albanesa. Alguns analistas acreditam que, apesar de as relações étnicas terem sido relativamente tranquilas na Macedônia, os albaneses étnicos, que constituem minoria no país (cerca de 1/4 da população), sentem-se tratados como cidadãos de segunda classe.
Aceitaríamos a mediação internacional, mas temo que o tempo (para isto) esteja se esgotando, disse Fadil Sulejmani, reitor da Universidade de Tetovo, outrora ilegal e considerada como um centro de resistência contra o governo macedônio. Em sua opinião, isto (o atual confronto entre rebeldes e governo) está se convertendo em uma espécie de guerra santa.
Preocupado com a situação nos Bálcãs, o chanceler russo Igor Ivanov viajou ontem para a Iugoslávia. Antes de deixar Moscou, Ivanov, em entrevista ao jornal iugoslavo Politika, disse que a escalada nos Bálcas só pode ser interrompida se forem colocadas barreiras apropriadas contra o extremismo e o terrorismo através de um controle mais rígido das fronteiras.
Ivanov acusou os albaneses étnicos de Kosovo, a província sérvia administrada por forças da OTAN e das Nações Unidas, de serem os responsáveis pela instabilidade que ultrapassou as fronteiras ao leste e ao sul de Kosovo.
O porta-voz do ministério da Defesa, Georgi Trendafilov, anunciou ontem que o Exército da Macedônia recorre a seus reservistas desde a noite de sábado. As forças armadas da República da Macedônia procedem desde a noite à mobilização de sua infantaria, declarou Trendafilov. O Exército regular macedônio conta com forças calculadas entre 15 mil e 20 mil homens, para uma população de dois milhões de habitantes.


