São Paulo - A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) afirmou ontem que o Irã mantém seu programa de enriquecimento de urânio, contrariando as advertências da comunidade internacional e as ameaças de imposição de sanções do Conselho de Segurança da ONU.
''A agência continua sendo incapaz de verificar a ausência de material nuclear e de atividades não declaradas no Irã'', escrevem os especialistas da AIEA em seu mais recente relatório sobre o polêmico programa nuclear do Irã, ao qual a imprensa teve acesso em Viena.
''O progresso nesse sentido é um requisito básico para que a AIEA possa confirmar o caráter pacífico do programa nuclear iraniano'', diz ainda o documento da agência.
O relatório também confirma informações diplomáticas, divulgadas anteriormente no início de outubro, que davam conta de que o Irã montou uma segunda rede experimental de 164 centrífugas destinadas ao enriquecimento de urânio. Segundo a AIEA, cientistas iranianos também estão trabalhando na instalação de um terceiro conjunto de centrífugas.
Por outro lado, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, afirmou ontem que seu país completará em breve um controverso programa nuclear de enriquecimento de urânio.
Em uma entrevista coletiva, Ahmadinejad disse que a posição sua está estabilizada ''graças à sabedoria e resistência'' do país. ''Estou muito otimista e creio que iremos celebrar a completa nuclearização do Irã neste ano'', afirmou. Pelo calendário ocidental, o ano iraniano terminará no dia 20 de março.
O presidente também disse que enviará em breve uma mensagem aos Estados Unidos, e que a comunidade internacional está mais disposta a aceitar o programa nuclear iraniano.
''Inicialmente, eles (EUA e seus aliados) ficaram muito nervosos. A razão era clara: eles basicamente queriam monopolizar o poder nuclear para poderem mandar no mundo e impor sua vontade a outros países.''
E completou: ''hoje, eles finalmente concordaram em conviver com um Irã nuclear, que possui um ciclo de produção de combustível nuclear''.
O Irã e as potências ocidentais enfrentam um impasse devido ao programa nuclear de Teerã. Os EUA e seus aliados europeus buscam hoje uma resolução do Conselho de Segurança (CS) da ONU para impor sanções ao país árabe por sua recusa em suspender o enriquecimento de urânio.

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