Africanos pressionam por divisão de poder
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segunda-feira, 30 de junho de 2008
Folhapress 
São Paulo- Líderes reunidos na cúpula da União Africana (UA) no Egito renovaram ontem a pressão a Robert Mugabe para negociar um governo de coalizão com a oposição no Zimbábue, mas rejeitaram apelos para declarar ilegítimo o governo do ditador.
O segundo turno da eleição que confirmou Mugabe no poder recebeu condenação quase universal, especialmente após a desistência do candidato opositor, Morgan Tsvangirai, devido à violência contra seus partidários.
Depois de uma campanha violenta que deixou quase 90 simpatizantes do opositor MDC (Movimento pela Mudança Democrática) mortos e 200 mil desalojados, testemunhas relataram que milícias leais ao governo forçaram cidadãos a votar em Mugabe. A UA e a Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC) condenaram a votação.
Mugabe foi à reunião da UA no balneário egípcio de Sharm el Sheik após prestar juramento ontem como presidente do Zimbábue, iniciando seu sexto mandato -ele está no poder há 28 anos.
Na cúpula, a maior parte dos líderes africanos citou ''desafios'' no Zimbábue, mas não foram ouvidas críticas duras a Mugabe. O rascunho da resolução que deve ser aprovada amanhã tampouco condena o segundo turno -só pede diálogo.
Participantes da conferência ouvidos em condição de anonimato afirmam que países do leste e oeste da África querem tomar uma posição mais dura, mas que o sul está dividido.
Em vez da rejeição, a África do Sul, mediadora da crise e que evita críticas ostensivas a Mugabe, tenta promover uma coalizão que daria a Tsvangirai um papel executivo e diminuiria as atribuições de Mugabe.
A proposta não chega a ser uma virada, mas demonstra endurecimento contra o governo zimbabuano devido à maior limitação do poder do ditador.
Já no Quênia, o premiê Raila Odinga pediu a suspensão do Zimbábue do grupo: ''A UA não deveria aceitar ou entreter Mugabe'', afirmou. Ele apoiou o envio de forças de paz para garantir a segurança de uma nova eleição, uma das demandas do MDC (as outras são o destacamento de um enviado da UA ao Zimbábue e o reconhecimento do resultado do primeiro turno, vencido por Tsvangirai).


