Africanos assistem ao espetáculo do Sol
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quinta-feira, 21 de junho de 2001
France Presse De Lusaka 
Milhões de africanos assistiram ontem na África Austral ao primeiro eclipse solar do milênio, apesar das dificuldades de organização e da falta de óculos especiais, que permitem a observação do fenômeno sem o risco de sequelas. Em Lusaka, o eclipse total durou três minutos e entusiasmou a multidão, que assobiou para expressar a alegria por esta experiência única.
Por uma vez, os políticos de diversas tendências esqueceram suas divisões e assistiram juntos, perto do aeroporto, ao sol negro, quando o astro rei foi totalmente ocultado pela Lua em Lusaka. Em Harare, muitos observaram o eclipse sem óculos protetores, embora alguns tenham utilizado papel de alumínio. Os habitantes não têm condições de comprar os protetores especiais.
Sem dinheiro o que podemos fazer? se perguntaram muitos deles. Um par de óculos especiais custa entre três e seis dólares. E com esse dinheiro, pago meu transporte durante três dias, explicou Tapiwa Mapako, de 29 anos. Algumas pessoas utilizaram óculos escuros, que são insuficientes para proteger os olhos da luz intensa.
Em Moçambique, poucas pessoas se deram ao luxo dos óculos. A maioria dos habitantes de Maputo preferiu ficar em casa e assistir pela televisão.
Os oftalmologistas temem que este eclipse provoque graves problemas, irreparáveis, nos olhos dos africanos, que não têm condições de comprar óculos especiais.
Em alguns países da região, como Zimbábue, Angola e Zâmbia, as autoridades distribuíram gratuitamente óculos especiais para determinados setores da população, como os estudantes e os habitantes de zonas rurais. No último momento, o governo de Zâmbia comprou óculos especiais, que deveriam ser distribuídos aos mais desfavorecidos nas zonas rurais.
A febre do eclipse tomou conta de Harare. Em um ambiente estranho, a luz do dia foi ocultada em plena manhã e muitos veículos circulavam com os faróis acesos. Várias pessoas saíram às ruas para assistir ao primeiro eclipse do século 21, que no nordeste de Zimbábue foi de 100%.
Os angolanos tiveram o privilégio de serem os primeiros na África a observar o eclipse, também de 100%.
Apesar de não ter ocorrido nenhum incidente entre o Exército e os rebeldes angolanos nos últimos dias, os habitantes desconfiam. As ruas estavam desertas ontem. Além disso, muitos também desconfiaram dos óculos especiais vendidos na cidade, sobretudo depois que a polícia apreendeu 5 mil pares de óculos falsos.
Em todo caso, a Igreja evangélica angolana aconselhou seus seguidores a ficarem em casa. Tive maus pressentimentos, confirmados quando a polícia descobriu os óculos falsos, disse o pastor Mpoyo Munene.


