Mulheres africanas reunidas na semana passada em Tunis pediram a maior participação feminina na resolução dos conflitos armados na África e que o estupro passe a ser considerado um crime contra a humanidade.
A violação de mulheres e crianças ‘‘é utilizada conscientemente como uma arma de guerra e deve ser reconhecida e castigada como um crime contra a humanidade’’, pediram numa declaração as delegadas de 40 organizações africanas e internacionais reunidas entre os dias 22 e 24 de janeiro em Tunis.
A maioria dessas mulheres faz parte de estruturas governamentais ou Organizações Não Governamentais (ONGs) e estiveram reunidas no Terceiro Fórum das Mulheres da África.
‘‘Um dos aspectos piores da guerra é a violação de mulheres, quando se converte intencionalmente em instrumento de guerra’’, sublinhou a secretária-geral adjunta da ONU, Angela King.
‘‘Individual ou coletiva, a violação não é só um ato brutal para as vítimas, mas um traumatismo que afeta as famílias de toda a sociedade’’, frisou.
Outras mulheres disseram que esse assunto é preocupante na África, onde acontece alguns dos mais espantosos e longos conflitos do planeta.
As mulheres querem trabalhar pelo fim dos conflitos bélicos, para manter a paz e lutar contra a indigência econômica, social e mental causadas pelas guerras, mas a violação é um obstáculo para essa tarefa, disseram algumas das participantes.
King mencionou o ‘‘desastre de Ruanda’’ (1994), onde mais de 500 mil mulheres foram estupradas, ou na Bósnia e também em Sierra Leoa.
Este drama mostra ao mundo ‘‘a amplitude do horror e deve alertar os tribunais internacionais’’, agregou.
Crueldades sexuais, gravidez indesejada, escravidão sexual ou crianças filhas de estupros de combatentes inimigos, foram denunciados como ‘‘uma verdadeira ameaça contra a paz’’.
A violação ‘‘é uma forma de genocídio e deve ser castigada como tal’’, afirmou a vice-presidenta de Uganda, Specioza Kazibwe.
Por sua parte, Lilia Labidi, uma psiquiatra tunisiana, defendeu o ‘‘direito da memória’’ para as mulheres vítimas de violação e tortura em tempos de guerra. ‘‘Tentar enterrar o mau ocultando sofrimentos de mulheres seria como fincar bases para mais violência’’, declarou.

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