África sedia conferência internacional sobre Aids
O presidente sul-africano Thabo Mbeki inaugurou oficialmente ontem, no estádio Kingsmead de Durban, totalmente lotado, a 13ªConferência Internacional sobre a Aids. O presidente voltou a enfatizar a polêmica que tinha desencadeado ao se indagar sobre a responsabilidade do vírus do HIV no desenvolvimento da Aids. Relacionou os inúmeros males que afetam o continente africano, como paludismo, tuberculose, hepatite, desnutrição, cólera, etc, destacando que não se pode acusar então um único vírus de tantas coisas.
Poucas horas antes, o professor Peter Piot, diretor da Onusaids, tinha assinalado que para satisfazer as necessidades mais elementares em matéria de prevenção e tratamento da Aids seria necessário gastar bilhões de dólares.
A doença já matou mais de 18 milhões de pessoas ao longo de 20 anos, e os tratamentos continuam sendo inacessíveis para a maioria das 34 milhões de pessoas infectadas no mundo. Os países da África subssahariana contam com 70% dos doentes e 95% dos 13 milhões de órfãos provocados pelo pais aidéticos.
A África do Sul deve lutar contra o HIV e a Aids com a mesma paixão com que lutou contra o apartheid, disse ontem Winnie Madikizela-Mandela diante de uma multidão reunida em Durban para demandar acesso a medicamentos contra a enfermidade. Poucas horas antes do início da 13ª Conferência Internacional sobre a Aids, milhares de manifestantes reuniram-se para protestar contra os altos preços dos medicamentos e a falta de ação governamental para aliviar a epidemia. Winnie Mandela, que é ex-mulher do ex-presidente Nelson Mandela, atacou o governo sul-africano e os fabricantes de remédio. Segundo ela, embora o governo tenha assistido como a Aids afetou o Leste da África nas décadas de 80 e 90, perdeu tempo com políticas ineficazes e medicamentos deficientes. Cerca de 10% dos sul-africanos são portadores do vírus HIV, que causa a Aids.





