África reclama ressarcimento
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sábado, 25 de agosto de 2001
Mamadu Ndiaye<BR>France Presse 
Cerca de quarenta ONGs africanas, membros de uma coalizão contra o racismo, exigem o reconhecimento da escravidão como um crime contra a humanidade e indenizações para as famílias das vítimas. ''Não podemos conceber uma comunidade internacional construída sobre a justiça, a igualdade e a universalidade dos direitos humanos sem que os Estados que praticaram a escravidão peçam perdão de forma explícita'', afirmou Aliun Tin, coordenador das ONGs africanas para a conferência da ONU sobre o racismo, que se realiza este fim de semana em Durban (África do Sul.
As ONGs que, visando essa conferência, criaram um movimento chamado ''Iniciativa de Gorée'', nome de uma ilha frente à costa de Dacar, considerada local importante para o tráfico de negros, discutem em princípio sobre um ''exercício da memória''.
''O tráfico, a escravidão dos negros e o colonialismo desempenharam um papel muito importante na consolidação da discriminação contra os povos africanos'', estimam.
''O aspecto pecuniário é menos importante que o reconhecimento do crime, que é imprescritível'', afirma Tin, que recentemente manteve uma polêmica com o presidente senegalês, Abdulaye Wade, que considerou ''absurda e insultante'' a idéia da indenização por causa da escravidão.
Por sua vez, o ex-secretário-geral da Anistia Internacional, o senegalês Pierre Sané, que milita em favor da ''classificação dos fatos criminosos'' (a escravidão e o colonialismo) antes do começo de toda a indenização, considera que um ''cheque não pode compensar o sangue derramado''.
''Devemos inscrever essa parte da história da África nos livros e ensiná-la nas escolas de todo o mundo'', estimou.
Sané destacou, a propósito da responsabilidade dos Estados na escravidão e colonialismo, que os governos de hoje têm que responder pelos atos cometidos por seus predecessores, da mesma forma que as dívidas são pagas pelas gerações futuras'', em virtude do princípio da continuidade do Estado.
As ONGs defendem também este ponto de vista. Preferem, afirmam, ''um fracasso da conferência de Durban'' antes de ''ceder e deixar de reconhecer o tráfico de negros cruzando o Atlântico, a escravidão e o colonialismo como crimes contra a humanidade''.
Para elas, a dignidade deve ser recuperada pela justiça, e o impacto do tráfico e a escravidão ainda é ''pesado nos descendentes das vítimas''.
As ONGs lamentam, finalmente, as diversas manifestações de racismo na Europa contra os ''sem documentos'', e os pedintes de vistos do Terceiro Mundo, enquanto ''os capitais e os bens circulam livremente''.
A Anistia Internacional, cujo conselho internacional se reúne em Dacar, estima que é importante reconhecer os ''abusos do passado''.
Perguntado pela AFP, seu porta-voz, Claudio Cordone, considera que ''toda vítima do abuso que seja tem direito a reparação, que inclui igualmente uma compensação financeira'' e que os responsáveis devem responder à Justiça.
Reconhece, no entanto, a dificuldade de identificar os responsáveis pela escravidão de ''tipo histórico''.


