África quer ajuda para combater a Aids
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quinta-feira, 23 de novembro de 2000
France Presse De Addis Abeba 
A assistência médica aos infectados pela doença requer investimentos de até US$ 10 bilhões ao ano, incompatíveis com a situação financeira do continente
Com 23,3 milhões de pessoas infectadas pelo vírus da Aids, África precisa de uma ajuda externa de US$ 2 bilhões a US$ 10 bilhões anuais para tentar conter a propagação da doença, assinala um estudo da ONU.
A assistência médica exigida pela Aids representa um encargo financeiro insuportável para os países africanos. Segundo as previsões da comissão econômica das Nações Unidas para África (CEA), publicadas por ocasião da conferência ministerial africana sobre o desenvolvimento, realizada em Addis Abeba, os US$ 2 bilhões a US$ 10 bilhões anuais necessários para enfrentar a crise teriam que ser entregues como subvenções e não como empréstimos, dado o enorme endividamento dos países aficanos.
Zâmbia (país no qual 20% da população adulta é soropositiva), que tem uma dívida externa de US$ 6,5 bilhões, não pode continuar se endividando para atender suas necessidades mais importantes, em particular o programa contra a Aids, informou anteontem em Lusaka o presidente Frederik Chiluba.
A pobreza e as desigualdades vão aumentar sem dúvida na África, já que a pandemia reduz o crescimento econômico, estima a ONU.
Em seu relatório bianual sobre a economia mundial, o Fundo Monetário Internacional (FMI) previa em setembro de 2000 que as consequências econômicas e sociais da pandemia da Aids poderiam diminuir em 5% o crescimento dos países mais afetados da África subsahariana.
O nível da ajuda pública ao desenvolvimento consagrado a esta enfermidade é lamentavelmente insuficiente, segundo a CEA.
Segundo a Onuaids, agência da ONU destinada à luta contra a Aids, os US$ 150 milhões a US$ 200 milhões de ajuda anual para prevenção da doença não bastam.
Em 1998, a Aids causou a morte de cerca 1.840.000 pessoas na África, mais do que as guerras e a malária, segundo cifras da Organização Mundial da Saúde (OMS). Metade das vítimas da Aids no mundo se acha na África do leste e do sul.
Segundo estimativas, a pandemia vai custar aos países da África do leste e austral entre 1% e 2 % de seu PIB anual como consequência das mudanças demográficas devido à mortalidade.
A Aids será tema principal do segundo fórum sobre o desenvolvimento africano, que se realizará de 3 a 7 de dezembro em Addis Abeba.


