A 13ª Conferência Internacional sobre a Aids, que vai começar no próximo domingo em Durban (África do Sul) – a primeira que se realiza no continente africano desde o surgimento da epidemia – terá provavelmente uma conotação muito mais política que as anteriores, em um país onde as controvérsias sobre a enfermidade se sucedem.
O presidente sul-africano, Thabo Mbeki, emendou suas declarações ‘‘revisionistas’’ em relação à origem da Aids, o que não impediu que 5 mil cientistas de todo o mundo lhe respondessem oficialmente que está enganado.
Entretanto, Mbeki não modificou em absoluto sua posição sobre as importações de AZT, o medicamento utilizado para prevenir a transmissão do vírus, que continua proibido no país em razão do suposto ‘‘perigo’’ que representa.
Recentemente, ele criticou a lentidão dos países industrializados em aliviar a dívida dos países africanos, quando o continente – em que vivem (e morrem) sete ou oito de cada dez enfermos de Aids – necessita de recursos para lutar contra a doença.
A Onusida, agência das Nações Unidas encarregada de coordenar a luta contra a Aids, acaba de anunciar que a África do Sul é agora o país mais afetado pela epidemia.
A África do Sul, país de 40 milhões de habitantes, conta com 4,2 milhões de enfermos e soropositivos e a doença avança ao ritmo vertiginoso de 1.700 novas contaminações por dia.
Recentemente, o governo sul-africano lançou um plano quinquenal de luta contra a Aids baseado na prevenção, no diagnóstico precoce e no acompanhamento da enfermidade que, segundo um recente estudo independente, matará 250 mil sul-africanos este ano.
As sucessivas acusações do presidente sul-africano já tiveram um efeito positivo: começaram a baixar os preços dos medicamentos antiaids que, em palavras da ONU, estão ‘‘fora do alcance da maioria dos africanos’’.
Em maio passado, a Onusida anunciou que tinha sido aberto um diálogo entre a ONU e cinco indústrias farmacêuticas (Boehringer Ingelheim, Bristol-Myers Squibb, Glaxo Wellcome, Merck and Co, F.Hoffmann La Roche) para ‘‘identificar os meios de ampliar o acesso aos tratamentos, assegurando ao mesmo tempo uma utilização racional, financeiramente acessível, segura e sem perigo’’.
Paralelamente, depois de anos de adiamentos ou de indiferença, os países ocidentais e as grandes organizações internacionais se dão conta finalmente de que o desabamento humano e econômico de uma parte do mundo tem necessariamente repercussões também para eles e parecem dispostos a contribuir economicamente para evitá-lo.

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