Afinidade cultural com o Brasil ajuda na reconstrução do Timor
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terça-feira, 19 de setembro de 2000
Israel Reinstein De Curitiba 
As afinidades culturais entre o Timor Leste, no Sudeste Asiático, e o Brasil podem ser úteis para reconstruir a ex-colônia da Indonésia. A avaliação do padre Ernani Pinheiro, diretor do Centro Cultural Missionário da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Pinheiro esteve ontem em Curitiba, a convite do Instituto Ciência e Fé para contar suas experiências naquele país. O padre viajou para o Timor no início do ano, pouco depois que a Indonésia desocupou o país.
Pinheiro informou que o trabalho de recuperação do Timor Leste ainda está no início. Ele contou que tudo no país foi destruído, antes da desocupação pela Indonésia, no ano passado. Não foi apenas a estrutura física que foi arrasada, mas também a história do país, com a queima de arquivos públicos pelas milícias pró-Indonésia, disse. Em função disso, o país está recebendo ajuda internacional, coordenada pela Organização das Nações Unidas (ONU). Entre as entidades que auxiliam os organismos internacionais, estão a CNBB e o Itamarati.
O padre informou que os timorenses usam metodologia brasileira de alfabetização e de formação de professores como educação a distância. Ernani Pinheiro explicou que o Timor adotou, como uma das quatro línguas oficiais, o português. Apesar da maioria dos habitantes falarem teutun, o português foi adotado, porque o país foi colonizado por Portugal, até 1974, e por facilitar as relações internacionais, explicou.
Além do trabalho de educação, a constituição brasileira tem servido de base para criar a deles. O Departamento de Direito da Universidade de Brasília (UNB) vem auxiliando nesse processo, formando juízes para atuarem quando o Timor se tornar uma nação reconhecida internacionalmente. Agora, o país está sob a proteção da ONU. Quanto aos missionários, a CNBB vem treinando um grupo de dez pessoas para atuar em diversas frentes no país asiático.


