Afegãos vão às urnas, apesar da violência
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domingo, 18 de setembro de 2005
France Presse 
Cabul - Os afegãos compareceram às urnas ontem para eleger o Parlamento pela primeira vez desde 1969, desafiando as ameaças do antigo regime talibã de perturbar a votação.
Poucas horas antes da abertura das zonas eleitorais, um soldado francês morreu na explosão de uma bomba no sul do país. O militar morreu na província de Kandahar, o antigo reduto dos talibãs, informou o exército da França em Paris.
Além disso, dois policiais e quatro talibãs morreram em ataques contra um posto de segurança e um local de votação, também no sul. Durante a manhã, um foguete caiu em um hangar das Nações Unidas, no subúrbio de Kabul, deixando um funcionário afegão levemente ferido.
Alguns locais de votação permaneceram fechados por motivos de segurança, sobretudo nas províncias de Day Kundi e Oruzgan (centro), focos da rebelião antigovernamental, principalmente dos talibãs, informou a Comissão Eleitoral.
Quase 12,5 milhões de afegãos e afegãs com mais de 18 anos estão habilitados para eleger, entre 5.770 candidatos, seus representantes na Assembléia Nacional (Wolesi Jirga, 249 cadeira) e em 34 conselhos provinciais (420 vagas), pela primeira vez desde 1969.
As 26.000 seções de votação, espalhadas dos desertos do sul às montanhas de Hindu Kush, no norte, fecharam as portas às 10h30 GMT (7h30 de Brasília). Os primeiros resultados serão divulgados até 10 de outubro e os resultados definitivos estão previstos para 22 de outubro, depois da análise de eventuais queixas.
As eleições constituem a última etapa do processo de transição política iniciado na conferência internacional de Bonn, depois da queda dos talibãs, no final de 2001. O país adotou uma Constituição em janeiro de 2004 e elegeu um presidente em outubro do mesmo ano.
Nas cédulas de votação, os eleitores encontram representantes de toda a sociedade afegã, incluindo chefes de guerra, narcotraficantes, ex-talibãs e, em um progresso para o país, mulheres.
O presidente Hamid Karzai afirmou que as eleições mostram que o país deixa para trás décadas de conflitos. ''Depois de 30 anos de guerra, intervenção e miséria, todo Afeganistão avança'', afirmou Karzai quando votou em Cabul.
''Construindo uma economia e construindo as instituições políticas estamos completando o processo, completando a instalação das bases do Estado afegão. Por isso estamos fazendo História'', declarou.
''É uma grande honra para mim, como afegão, sentir-me independente e poder votar por minha própria vontade'', acrescentou, no momento em que depositava o voto em uma urna da capital.


