São Paulo - O ataque aéreo que matou 22 pessoas em um hospital gerido pela ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF), no norte do Afeganistão, havia sido solicitado pelas forças afegãs, afirmou o comandante da missão americana no país. O general John F. Campbell, chefe das forças americanas e da coalizão contra o Taleban, falou em uma conferência com jornalistas montada às pressas no Pentágono ontem.
"Nós tomamos conhecimento agora de que, em 3 de outubro, forças afegãs nos informaram que estavam sob fogo de posições inimigas e pediram apoio de forças dos EUA", disse Campbell, sobre a operação em Kunduz. "Um ataque aéreo foi então requisitado para eliminar a ameaça Taleban e diversos civis foram acertados acidentalmente. Esta (versão) é diferente dos relatos iniciais que indicavam que forças dos EUA foram ameaçadas e que o ataque aéreo foi solicitado a pedido destes", afirmou o general.
A revisão do comunicado não esclarece se o hospital onde a MSF trabalha foi identificado erroneamente como alvo ou se outros erros foram cometidos pelos americanos. O general se recusou a fornecer mais detalhes sobre o ocorrido, afirmando que uma investigação militar está em curso.
Doze funcionários e sete pacientes, três deles crianças, morrem no ataque que deixou ao menos 37 feridos. De acordo com a MSF, cem pessoas estavam no prédio durante o bombardeio. A ONG cobrou respostas em comunicado.
Kunduz é uma capital de província com 300 mil habitantes em uma região estratégica do país. A tomada da cidade pelo Taleban foi considerada uma das maiores conquistas da milícia em mais de uma década. Ontem, moradores e policiais afirmaram que a coalizão já havia recuperado boa parte da cidade, que havia caído sob domínio do Taleban na semana anterior.

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