Os bombardeios norte-americanos mudaram a relação de forças políticas no Afeganistão, mas apesar da esperança que desperta a queda dos talebans, a existência dos afegãos continua regida pela guerra e pela miséria.
Embora os recentes acontecimentos sejam um motivo de esperança para uma população extenuada por 23 anos de guerra, a maioria dos afegãos tem preocupações mais imediatas como, por exemplo, a fome.
''A situação de milhões de afegãos continua sendo muito precária, devido aos bombardeios, à fome e às primeiras nevadas'', disse Khalid Massoon, membro da federação de ONGs afegãs Acbar. ''Milhares poderão morrer neste inverno se os combates não cessarem e as organizações humanitárias não atuarem rapidamente''. alertou Massoon.
A insegurança e os bombardeios continuam sendo os principais obstáculos para a distribuição de ajuda alimentar. O Programa Mundial de Alimentos (PAM) da ONU demonstra preocupação com os 238 mil habitantes de Kandahar e de sua região que não recebem ajuda humanitária há três semanas.
Segundo a Organização Internacional das Migrações (OIM), cerca de 180 pessoas, em sua maioria menores, morreram de fome e de frio nas quatro últimas semanas no acampamento de Baghe Sherkat, perto de Kunduz (norte do Afeganistão).
Em Cabul, a população tem fome e desesperada pela lentidão da distribuição de alimentos, saqueia os armazéns do PAM. Poucos afegãos trabalham e os que trabalham estão há meses sem receber salários. A queda dos talebans permitiu às mulheres sair de suas casas e voltar a trabalhar ou a estudar, mas apesar desses tímidos avanços, poucas tiraram a burka e muitas são obrigadas a mendigar.
A vida dos afegãos cuja esperança de vida é de 45 anos, embora uma quarta parte das crianças morra antes de completar cinco anos está também ameaçada pelas minas (7 milhões) e pelas bombas norte-americanas que não explodiram.

mockup