SÃO PAULO - O presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, exigiu ontem que os EUA adotem medidas ''muito, muito fortes'' contra quaisquer funcionários militares sobre os quais haja evidências de abusos de prisioneiros na principal base americana no país, em Bagram.
Karzai também exigiu que os EUA exerçam maior controle sobre suas operações militares no Afeganistão e que tropas americanas interrompam a realização de buscas em casas de cidadãos afegãos sem que haja conhecimento de sua administração.
O presidente afegão afirmou ainda que levaria o caso a autoridades americanas durante série de quatro visitas aos EUA, que começou ontem. ''Nenhuma operação dentro do Afeganistão deve ocorrer sem uma consulta ao governo afegão'', disse Karzai.
Reportagem publicada ontem pelo ''New York Times'' com base numa investigação criminal feita pelo Exército dos EUA apontou a ocorrência de repetidos maus-tratos contra afegãos detidos na base de Bagram, ao norte da capital, Cabul. Dois deles foram torturados por militares americanos até a morte, em dezembro de 2002.
Em resposta às alegações, o porta-voz do Exército dos EUA em Cabul, coronel James Yonts, havia dito que ''o alto comando deixou bem claro que nenhum caso de maus-tratos será tolerado''. Um dos porta-vozes da Casa Branca disse que o presidente George W. Bush ficou ''alarmado'' com os relatos e pediu uma cuidadosa investigação.

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