São Paulo - O presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, concordou ontem em participar do segundo turno da eleição presidencial do país, marcado para 7 de novembro, contra o ex-ministro do Exterior, Abdullah Abdullah. O anúncio foi feito dois meses após a realização do pleito e depois de investigações sobre fraudes terem anulado quase um terço de seus votos.
  Karzai fez o pronunciamento ao lado do presidente do Comissão de Relações Exteriores do Senado dos EUA, John Kerry, e do chefe da ONU no Afeganistão, Kai Eide -sinal da intensa pressão internacional que sofria para aceitar as conclusões das investigações.
  O segundo turno foi marcado depois que a Comissão Eleitoral de Apelações (CEA), apoiada pelas Nações Unidas, ter ordenado que mais de 1 milhão de votos fossem invalidados -a maioria era de Karzai.
  A Comissão Eleitoral Independente (CEI), responsável pela apuração, anulou, então, a vitória do presidente, já que ele caiu dos 54,6% anunciados preliminarmente, para 49,7% dos votos válidos -menos do que os 50% mais um necessários para evitar uma nova votação. Abdullah passou de 28% para 32% -ele teve mais de 200 mil votos também anulados.
  Ontem, o presidente não comentou as irregularidades. Disse apenas que ‘‘este é o momento de seguir adiante, em direção à estabilidade e à unidade nacional’’. Karzai reconheceu que o resultado final é ‘‘legítimo, legal e de acordo com a Constituição do Afeganistão’’.

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