O Afeganistão enviou um grande arsenal de armas, incluindo mísseis Scud (com um alcance de 300 km, o suficiente para atingir Islamabad), e até 25 mil homens armados à fronteira com o Paquistão, segundo um militar do país. ''Tememos que eles nos ataquem. Já estamos preparados, estamos preparados para defender a pátria'', afirmou o capitão paquistanês Abid Bahtti, falando num posto de controle do Exército a 2,5 km da fronteira com o Afeganistão.

Questionado se a situação se assemelhava a uma crise bélica, Bahtti disse: ''Definitivamente, mas não é uma guerra declarada.'' Afegãos que cruzaram a fronteira disseram ter visto combatentes ligados ao grupo extremista islâmico Taleban, que controla quase todo o país, cavando trincheiras perto da fronteira.

Rashid Qureshi, porta-voz do governo militar paquistanês, disse que o país não havia planejado nenhuma grande ação com seus soldados, que chegam pelo menos a 500 mil, porque não pôde confirmar a movimentação dos afegãos.

O Paquistão fechou sua fronteira de cerca de 1.400 km com o Afeganistão, permitindo a passagem apenas de pessoas com documentos requisitados pelo país.

Segundo Bahtti, Islamabad já havia reforçado a fronteira com tropas devido aos crescentes sinais de que os EUA pretendem atacar o Afeganistão devido ao refúgio que oferece a Osama bin Laden, principal suspeito dos ataques à Costa Leste dos EUA.

O líder do Taleban, o mulá Mohamad Omar, alertou os países vizinhos sobre o ''extraordinário perigo'' ao qual estarão sujeitos se cooperarem com os EUA. Apesar disso, o presidente do Paquistão, general Pervez Musharraf, ofereceu apoio aos EUA. O governo de George W. Bush recebeu permissão para sobrevoar o território paquistanês. Poderia também deslocar uma força multinacional dentro de suas fronteiras, disseram fontes militares e diplomáticas paquistanesas no sábado. O Paquistão aceitou ainda fechar sua fronteira com o Afeganistão e cooperar com informações estratégicas. Aumentam os protestos nas ruas paquistanesas contra a ajuda aos EUA.

O Afeganistão está a cerca de 1.600 km do oceano mais próximo, rodeado por países hostis aos EUA, como o Irã, ou por Estados que não estão acostumados a cooperar com militares norte-americanos, como o Paquistão e a Rússia. Vários países na região dispõem de armas nucleares.

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