O chanceler do regime integrista islâmico taliban prometeu um ''julgamento aberto'' dos oito estrangeiros acusados de pregar o cristianismo no Afeganistão, enquanto a Suprema Corte se reunia a portas fechadas pelo terceiro dia consecutivo. Durante esta reunião, segundo informações extra-oficiais, os membros da Corte puderam tomar conhecimento das ''provas'' contra os membros da ONG cristã, consistindo em filmes, músicas e literatura cristãos, apreendidos de outro grupo cristão expulso do Afeganistão.
No entanto, as declarações contraditórias de altos funcionários da milícia islâmica preocuparam os parentes e diplomatas que representam os dois americanos, dois australianos e oito alemães que devem ser julgados.
O ministro das Relações Exteriores, Wakil Ahmed Mutawakel, disse que os estrangeiros serão levados ante o tribunal durante a ''segunda etapa'' do processo, quando será autorizado aos diplomatas, familiares e jornalistas assistirem aos procedimentos legais.
Os estrangeiros foram presos junto com 16 colegas afegãos da organização não-governamental alemã Shelter Now International, no princípio de agosto passado, acusados de violar a lei islâmica.
Até a presente data, os acusados, que se encontram em um lugar secreto em Cabul, não foram levados ante o tribunal, e os diplomatas não podem supervisionar os procedimentos.
Os diplomatas disseram que os familiares que se encontram em Cabul foram autorizados a ver os prisioneiros em um lugar não revelado, ontem.
O cônsul americano David Donahue também informou que os diplomatas se reuniram com funcionários do ministério das Relações Exteriores, que asseguraram que os réus estão bem.
O principal magistrado da Suprema Corte, Mawlawi Noor Mohammad Saqib, declarou à rádio estatal Shariat, quarta-feira, que não se decidiu se permitiria que os diplomatas observassem o julgamento.

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