Afeganistão aceita força de paz
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 19 de dezembro de 2001
Das agências<br>De Cabul e Berlim 
Os dirigentes afegãos aceitaram o princípio de uma força internacional de paz de 5.000 homens no país, declararam ontem funcionários do Ministério de Defesa em Cabul. O acordo de princípio foi conseguido depois de difíceis negociações desde a chegada no sábado a Cabul do general britânico John McColl, encarregado de preparar o terreno para a mobilização dos primeiros elementos da força. O general McColl, que poderá dirigir essa força, se reuniu domingo com o ministro de Defesa, Mohammad Qassim Fahim, e com outros dirigentes afegãos.
''Concordaram sobre 5.000 ou mais soldados de manutenção da paz, mas ainda não assinaram nada'', declarou Barnab Salihi, um dos altos funcionários do Ministério.
''O problema não é mais o volume da força, mas sua missão e o lugar onde estará acantonada'', precisou outro funcionário, Gulbuddin.
A Aliança do Norte, cujos representantes desempenham um papel preponderante no novo governo interino, que será empossado em seu cargo no sábado, queria inicialmente uma força de 1.000 homens e que seu papel estivesse limitado à defesa dos edifícios governamentais.
Divergências A aprovação do mandato da ONU sobre uma força multinacional para o Afeganistão está se atrasando por causa de divergências entre a Alemanha e a Grã-Bretanha, afirmou ontem o matutino alemão Frankfurter Allgemeine, citando fontes diplomáticas.
A resolução estava agendada para ontem, no Conselho de Segurança da ONU, em Nova York, mas Berlim e Londres não fecharam ainda um acordo quanto à estrutura de comando da força multinacional, diz a mesma publicação.
Além disso, ainda segundo o jornal, surgiram também novas exigências por parte do Afeganistão, que quer ter ''um amplo direito de participação nas decisões'' no que se refere a esta operação internacional.
Por isso, quando o novo primeiro-ministro afegão, Hamid Karzai, tomar posse no sábado, em Cabul, estará apenas um comando avançado britânico na capital afegã, disseram ao diário de Frankfurt diplomatas em Berlim e em Nova York.
O parlamento alemão já está se preparando para uma reunião no sábado, ou mesmo no domingo, em plena semana de Natal, para aprovar a participação de tropas alemãs na missão internacional, só depois de a ONU concordar com a respectiva resolução.
As divergências entre Berlim e Londres se prendem com o grau de dependência entre a nova operação e o Central Command (Centcom) dos norte-americanos, que dirige as atuais operações militares no Afeganistão.
A Alemanha insiste numa clara separação das duas missões, enquanto os britânicos querem que haja interligação entre as respectivas cadeias de comando, ao que parece para se beneficiarem do apoio logístico e do trabalho dos serviços secretos norte-americanos no terreno.
Londres assumiria o comando dos contingentes da ONU por 3 meses.


