Alegando que não são suficientes para justificar a destituição de Bill Clinton, os advogados da Casa Branca rejeitaram ontem todas as acusações apresentadas ao Senado pela Câmara dos Representantes para instruir o processo de impeachment. ‘‘O presidente Bill Clinton nega todas as alegações contidas nos artigos de destituição’’, afirmam os advogados, em resposta ao documento contendo as acusações enviado sexta-feira pelo Senado ao presidente. ‘‘As duas denúncias que instruem o processo de destituição não têm base suficiente para condenação e destituição de um presidente devidamente eleito.’’
Segundo os advogados, as acusações de perjúrio e obstrução de Justiça, relacionadas às relações adúlteras mantidas por Clinton com a ex-estagiária da Casa Branca Monica Lewinsky, não atingem o nível de ‘‘delitos graves que os pais da Constituição consideraram base para a destituição de um presidente’’. Por outro lado, Clinton está decidido a ir ao Congresso para fazer o tradicional pronunciamento sobre o Estado da União, apesar da tramitação do processo de impeachment.
‘‘O presidente não tem intenção de desistir do pronunciamento sobre temas que são importantes para toda a nação’’, disse o porta-voz da Casa Branca James Kennedy. Alguns senadores, incluindo democratas, acham que Clinton vai ‘‘dividir ainda mais’’ o Congresso com essa decisão. São necessários dois terços dos votos do Senado para que Clinton seja condenado e destituído do cargo, fato que a maioria considera improvável. Em sua resposta, o presidente Bill Clinton negou ter cometido perjúrio durante seu testemunho a um grande júri federal em 17 de agosto ou ter obstruído a justiça. Ele alega que os dois artigos de impeachment são muito vagos para permitir sua condenação e remoção, além de ambos conterem acusações múltiplas que poderiam criar ‘‘a possibilidade real de que a condenação possa ocorrer apesar de os senadores discordarem do suposto erro cometido’’.

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