São Paulo - Os advogados da equipe de defesa do ex-ditador iraquiano Saddam Hussein (1979-2003) anunciaram ontem que estão prontos para o reinício do julgamento, no próximo dia 28, apesar do risco de vida, se suas exigências de proteção forem atendidas.
  ‘‘Estamos preparados para comparecer ao tribunal se nossas exigências para a garantia de proteção apropriada forem atendidas’’, disse o chefe da equipe de defesa de Saddam, Khalil al Dulaimi, à agência de notícias Reuters por telefone - a atual localização de Al Dulaimi é desconhecida.
  O advogado, que no início deste mês anunciou que a equipe de defesa do ex-ditador iraquiano iria cortar todo tipo de contato com o tribunal devido à morte de dois dos membros da equipe, acusou seus oponentes de espalharem rumores de que a defesa estaria boicotando o julgamento, suspenso desde o dia 19 de outubro.
  Al Dulaimi disse que a intenção da parte da acusação era preparar outra equipe de defesa. ‘‘Não anunciamos um boicote ao julgamento, mas apenas uma suspensão de nossos trabalhos com a corte a fim de preservar as vidas de nossos colegas. Mas eles querem fazer parecer que boicotamos, para que possam preparar novos advogados [de defesa]’’, disse.
  No início deste mês dois advogados da equipe de defesa de Saddam e de outros membros de seu governo foram atacados. Um dos advogados morreu e outro ficou bastante ferido. O ataque aconteceu em uma área de Bagdá predominantemente sunita.
  O advogado Adel al Zubeidi, que representava o ex-vice-presidente iraquiano Taha Yassin Ramadan e Abdullah Kazim Ruwayyid, membro do antigo partido Baath, foi assassinado e Thamir al Khuzaie - que trabalhava na defesa do meio-irmão de Saddam Barazan Ibrahim -, ficou ferido, informou a polícia.
  Em outubro, a polícia encontrou o corpo de Saadoun Sughaiyer al Janabi, que representava Awad Hamed al Bandar, o antigo chefe da Corte Revolucionária de Saddam, em um depósito de lixo de Bagdá. Ele foi assassinado com vários tiros na cabeça.
  Saddam e colaboradores de seu regime estão sendo acusados pela morte de 148 pessoas depois de uma tentativa frustrada de assassinar em 1982 o então ditador.
  Segundo Dulaimi, as ameaças aos advogados da equipe aumentaram nos últimos dias. ‘‘As ameaças contra nós aumentaram de modo sistemático e os americanos têm sido informados sobre isso.’’ O governo iraquiano diz que os advogados de Saddam têm recusado seguidamente as ofertas de proteção policial.

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