Advogado de Saddam é assassinado em Bagdá
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quarta-feira, 21 de junho de 2006
Folhapress 
São Paulo - Um dos advogados de defesa de Saddam Hussein foi morto a tiros em Bagdá, após ser sequestrado por um grupo de homens vestidos com uniformes da polícia. Foi a terceira morte de um membro da equipe de defesa do ex-ditador desde o início do julgamento.
Khamis al Obeidi, um iraquiano sunita que representava Saddam e seu meio-irmão, Barzan Ibrahim, no processo, foi sequestrado em sua casa na manhã de ontem, segundo o chefe da equipe de defesa, Khalil al Dulaimi.
Seu corpo foi encontrado com marcas de tiros na região xiita de Sadr City, de acordo com a polícia. Al Obeidi que estava na faixa dos 50 anos e tinha seis filhos foi o terceiro membro da equipe de defesa de Saddam a ser assassinado desde o início do processo, em 19 de outubro.
Um dia após o início do julgamento, cerca de dez homens mascarados sequestraram o advogado Saadoun al Janabi de seu escritório em Bagdá. Seu corpo foi encontrado no dia seguinte com marcas de tiros.
Cerca de três semanas depois, outro advogado da defesa, Adel al Zubeidi, foi assassinado em uma emboscada em Bagdá. Um colega ficou ferido no ataque e deixou o país.
''O objetivo destes atos é amedrontar os advogados e atrapalhar o trabalho da defesa'', afirmou Al Dulaimi. Ao contrário de Al Dulaimi que se desloca entre Amã, na Jordânia, e Bagdá , Al Obeidi vivia no Iraque, na região sunita de Azamiyah, ao norte de Bagdá.
Segundo Bushra al Khalil, libanesa que integra a equipe de defesa, Al Obeidi foi levado de sua casa por um grupo de homens vestidos com uniformes da polícia e utilizando veículos utilizados pelas forças de segurança iraquianas.''Eles o vendaram e o levaram embora'', afirmou Al Khali, que foi expulso da corte no mês passado pelo juiz Raouf Abdel-Rahman. Ela afirmou que os Estados Unidos têm ''responsabilidade'' pela morte, por não oferecer proteção aos advogados de defesa.
''A suspensão da segurança da equipe de defesa foi uma introdução aos assassinatos'', afirmou. Segundo Al Khalil, ela já sofreu ameaças de morte. ''A voz de um homem me ameaçou e disse que iria me enforcar'', afirmou, dizendo que o telefonema foi feito de um aparelho público.
O ex-ditador e sete de seus ex-colaboradores são acusados das mortes de 148 xiitas em Dujail, norte do Iraque, em 1982, após uma tentativa de assassinato contra Saddam.
Um carro-bomba explodiu perto de uma sorveteria em Sadr City ontem, matando ao menos três pessoas e ferindo outras oito, segundo a polícia. A violência aconteceu um dia depois da descoberta dos corpos de dois soldados americanos que estavam desaparecidos desde sexta-feira após um ataque contra um posto de controle.
Segundo o general iraquiano Abdul Aziz Mohammed, os corpos apresentavam sinais de tortura. O Conselho de Shura dos Mujahidin, que engloba cinco grupos insurgentes, reivindicou o assassinato dos soldados, afirmando que ele foi executado pessoalmente pelo novo líder da rede terrorista Al-Qaeda no Iraque, Abu Hamza al Muhajer.
O Exército americano não confirmou se os corpos pertencem de fato aos soldados Kristian Menchaca, 23 anos, do Texas, e Thomas L. Tucker, 25, do Oregon. Os corpos serão enviados do Kuait para a base da força aérea em Delaware (EUA) para autópsia e testes de DNA.


