France Presse
de Berlim
O nazista Adolf Eichmann só pode ter escrito a primeira versão de suas memórias durante o exílio na Argentina, antes da prisão e julgamento em Israel, estimou nesta sexta-feira em Berlim o professor Evjatar Friesel do arquivo nacional israelense. ‘‘Eichmann era vigiado dia e noite. Como poderia conseguir liberar o documento’’ da cela onde estava preso em Jerusalém?’’ pergunta-se o israelense, citado ontem pelo jornal ‘‘Die Welt’’.
A cópia do texto, de 127 páginas, encontrado segunda-feira na Alemanha, é anterior à versão definitiva das memórias, de 1.200 páginas, redigidas por Eichmann na prisão, depois de seu sequestro em 1960 por agentes israelenses na Argentina, deduziu Friesel. A cópia foi descoberta nos arquivos do Departamento alemão de investigação e julgamento dos crimes nazistas pelo diretor do centro, Willi Dressen. Dressen ignora onde foi encontrado o original.
Terça-feira, o ministério israelense de Justiça autorizou a publicação definitiva das memórias. O fundador do Estado de Israel, Ben Gurión, havia proibido esta publicação durante 15 anos. Em ambos os textos, o criminoso nazista expõe sua versão do Holocausto e afirma não ter tido papel fundamental na ‘‘solução final’’.

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