Adolescentes impressionaram corte juvenil
Associated Press
Menos de três meses antes de planejarem cuidadosamente os ataques aos colegas da escola Columbine, Dylan Klebold e Eric Harris impressionaram o oficial de uma corte juvenil que os definiu como jovens inteligentes com grande potencial. Ele não foi o único a se enganar: vizinhos e amigos definem a vida dos adolescentes classe-média como totalmente normal.
Klebold, de 17 anos e Harris, de 18, foram pegos arrombando um furgão no ano passado e entraram num programa de recuperação de uma corte juvenil, o que limparia seus antecedentes. Eles terminaram o programa em fevereiro, com sucesso. Eric é um jovem brilhante que vai ter sucesso na vida. Ele é inteligente o suficiente para atingir altos objetivos enquanto for cobrado e estiver motivado, escreveu um oficial da corte num dos documentos da Corte Distrital do Condado de Jefferson divulgados ontem.
A respeito de Klebold, ele escreveu: Dylan vai ser liberado antecipadamente do programa... Ele é inteligente o suficiente para tornar qualquer sonho realidade, mas precisa entender que trabalhar duro é parte disso. Cada adolescente fez 45 horas de serviços comunitários, recebeu aconselhamento e escreveu uma carta desculpando-se. Harris recebeu aconselhamento adicional sobre conduta de ódio.
Estes garotos vieram e vestiram sua melhor face, disse o promotor distrital Dave Thomas, chefe do oficial que assinou os documentos. A maior parte de nós no sistema gostaria de ser detector de mentiras, mas não somos. Segundo Thomas, o oficial estava tão aborrecido que ele estava preocupado com ele. Ele está angustiado com o que aconteceu, disse Thomas ontem.
A educação classe-média dos garotos também levou os adultos à complacência, mesmo com os alertas de alguns colegas quanto às suas tendências amargas, vingativas. Na escola, Klebold e Harris admiravam Hitler abertamente, insultavam as minorias e mantinham rixas acirradas com os atletas. Na presença de adultos, entretanto, eram educados e simpáticos.
Klebold vivia numa casa de 400 mil dólares, com uma estrutura moderna de cedro e vidro. Seu pai, Thomas Klebold, 52 anos, é um ex-geofísico que dirige em casa uma empresa de hipoteca. Sua mãe, Susan, de 50 anos, trabalhou durante anos para o sistema escolar comunitário no Colorado, ajudando estudantes deficientes a ter acesso à educação. Seu bisavô materno, o falecido Leo Yassenoff, foi um judeu filantropo proeminente em Columbus, Ohio, informou ontem o jornal The Columbus Dispatch.
Estamos todos perplexos, disse Michael Briand, colega de trabalho de Susan. Segundo Brian, Thomas é conhecido como um liberal que apóia o controle de armas. Eles faziam tudo certo. Mas de alguma forma a dor e o ódio eram muito profundos e eles não viram ou não puderam alcançá- los.
Harris modou-se para Littleton em 1996 de Plattsburgh, Nova York, onde seu pai, Wayne Harris, era piloto da Força Aérea. Em Littleton a família comprou um sobrado de 184 mil dólares numa rua sem saída tranquila. Vizinhos dizem que o casal era quieto e fazia pouco esforço para fazer amigos. O irmão mais velho de Eric, Kevin, jogava basquete com os vizinhos . Eles eram muito legais, muito tranquilos, disse Matt Good, de 16 anos, que mora na mesma rua.
As famílias evitaram a imprensa, mas fizeram declarações expressando pesar pelas vítimas. A família Klebold indaga o que teria dado errado: Como o resto do país, nós estamos lutando para entender porque isso aconteceu. Briand contou que os pais de Klebold estavam animados porque seu filho parecia estar perdendo o fascínio pelas roupas pretas e pelos modos rebeldes da cultura Goth.
Mas há indícios de que o pai de Klebold suspeitava de que seu filho ainda era uma ameaça para ele e para os outros. Na terça-feira, quando a TV informou que jovens armados vestidos com capas pretas haviam invadido a escola Columbine, o senhor Klebold entrou em contato com autoridades suspeitando de que seu filho estivesse envolvido e oferecendo ajuda como mediador.
Oficiais responderam que era tarde demais.





