Dois dias de greve geral no Chile deixaram um saldo de 1394 pessoas detidas, 206 feridos e um adolescente morto, informou hoje (26) o subsecretario do Interior chileno, Rodrigo Ubilla. Manuel Gutierrez, de 14 anos, foi baleado no peito e morreu nesta madrugada. Foi a primeira morte em três meses de mobilizações sociais.

Analistas políticos consideram que, se por um lado, a greve manteve as reivindicações estudantis na pauta política chilena, por outro lado, os estudantes correm o risco de perder o grande apoio popular que conquistaram ao longo dos últimos três meses, saindo às ruas para exigir educação gratuita e de melhor qualidade para todos.

Os jovens pedem educação gratuita e de melhor qualidade para todos. No Chile, o ensino superior é pago.

Anteontem, a Central Única dos Trabalhadores convocou uma greve geral de dois dias, para apoiar os estudantes e exigir outras reformas sociais. Os trabalhadores querem uma reforma na Constituição, que protege a propriedade privada e relega o papel do governo a um segundo plano; uma maior participação do Estado na educação e saúde dos chilenos; e uma reforma tributária, para distribuir melhor a riqueza, de um país que vem crescendo mais de 6% ao ano.

A frente Concertación (que reúne os principais partidos políticos de oposição no Chile) aderiu à greve. Mas ao contrario dos estudantes, os políticos não têm o apoio popular.

O governo conservador de Sebastián Piñera – o primeiro presidente de centro-direita eleito desde o fim da ditadura, em 1990 – tem o menor índice de aprovação em duas décadas de democracia.

Com informações da BBC Brasil.

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