O secretário de Justiça dos Estados Unidos, John Ashcroft, anunciou ontem o adiamento, pelo menos até 11 de junho, da execução do principal acusado do atentado de Oklahoma City, Timothy McVeigh, que estava marcada para a próxima quarta-feira.
O adiamento foi motivado pela revelação, na véspera, de que o FBI reteve 3.135 páginas de documentos que deveriam ter sido anexadas ao processo e entregues aos advogados de defesa de McVeigh antes de seu julgamento, em 1997.
Adicionalmente, Ashcroft anunciou a instalação de uma investigação interna para determinar as causas da retenção dos documentos, cuja existência foi revelada na quinta-feira à noite pela rede de TV CBS.
O Departamento de Justiça tem autoridade para adiar execuções independentemente da ação de tribunais. Um dos advogados de McVeigh, Nathan Chambers, disse ontem que a defesa tem à disposição ‘‘um grande número de opções’’ e estava ‘‘considerando os próximos passos’’.
Rob Neigh, outro de seus advogados, deixou em aberto a possibilidade de seu cliente reconsiderar a decisão anterior de não recorrer da condenação. ‘‘Todas as opções estão mantidas em aberto’’, disse Neigh. ‘‘No passado, ele disse que não queria a postergação. Agora, ele quer avaliar as informações.’’
Por jurisprudência, a retenção dos documentos dá ao réu o direito de pedir um novo julgamento. Mas McVeigh – que não admitiu no tribunal ter sido o responsável pelo atentado, mas o fez posteriormente, em declarações aos autores do livro American Terrorist – renunciou a todas as apelações e chegou a pedir formalmente ao juiz federal Richard Matsch, encarregado do caso, para que apressasse a data da execução.
Em entrevista coletiva, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, defendeu a decisão de Ashcroft de adiar a execução.
‘‘Essa decisão causa alguma frustração para pessoas cujas vidas foram destruídas por Timothy McVeigh, mas nosso país tem o dever de fazer com que todos tenham a certeza de que casos de pena de morte são tratados de forma justa’’, disse Bush, acrescentando que não tem dúvida sobre a culpabilidade do réu.
‘‘Ele admitiu ter feito o que fez, mas é importante que o caso seja tratado de acordo com todas as garantias da Constituição.’’

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