A Corte de Apelações de Santiago voltou a adiar o veredicto que anulará ou confirmará o julgamento ao ex-ditador chileno, general Augusto Pinochet. A presidente da Corte, Gabriela Pérez, informou que a sentença não seria emitida durante o dia e não antecipou uma nova data precisa à imprensa.
Mais de trinta partidários de Pinochet, que ontem completou cinco semanas de prisão domiciliar, estavam na frente do tribunal, com faixas exibindo os nomes de militares caídos em ataques ‘‘terroristas’’ durante a ditadura, entre 1973 e 1990.
Advogados de organizações humanitárias e parentes de desaparecidos sob o regime militar também foram à Corte, mas ficaram frustrados com o novo adiamento.
Ex-general será julgadoUm juiz chileno decidiu modificar os autos do processo contra o general da reserva Hugo Salas Wenzel, acusando-o como autor e não apenas como encobridor do assassinato de sete militantes da esquerdista Frente Patriótica Manuel Rodríguez (FPMR) durante a ditadura do general Augusto Pinochet.
O juiz Milton Juica processou inicialmente Salas por encobrir os delitos, mas a partir de agora o magistrado elevou a acusação para o grau de autor dos homicídios ocorridos em 1987.
Salas Wenzel, que está em liberdade sob fiança, foi um dos últimos chefes da Central Nacional de Informações (CNI), a polícia secreta do regime militar.
Juica está investigando as mortes, entre 15 e 16 de junho de 1987, de 12 militantes da FPMR, um grupo armado que combateu a ditadura de Pinochet. Outras 9 pessoas estão sendo processadas pelo caso, entre estas o ex-chefe de operações da CNI, Alvaro Corbalán, condenado à prisão perpétua pelo assassinato de um carpinteiro. Também está próxima a condenação de Corbalán pelo homicídio do dirigente sindical Tucapel Jiménez.
Cinco dos 12 esquerdistas do grupo armado morreram baleados em quatro diferentes operações, e os outros sete foram massacrados a tiros no interior de uma residência abandonada. A CNI sustenta que o grupo morreu em confrontos, mas esta versão foi desmentida pelas investigações de Juica.
Com o indiciamento de Salas, chega a nove o número de generais processados como autores, cúmplices ou encobridores de graves violações aos direitos humanos.

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