O presidente Boris Yeltsin e os deputados continuavam a negociar a ratificação do nome de Viktor Chernomyrdin para primeiro-ministro, no momento em que a Rússia completou mais uma semana sem governo e o ainda premiê interino anunciou que acompanhará a emissão monetária com rigor. Chernomyrdin expôs ontem, ante o Conselho da Federação (câmara alta do Parlamento), as grandes linhas de seu programa para tirar a Rússia da crise. Ante os senadores, o chefe de governo interino anunciou um programa econômico em duas etapas perfeitamente contraditórias: em primeiro lugar, uma emissão monetária para pagar salários e aposentadorias em atraso antes de primeiro de janeiro, e depois uma política de extremo rigor monetário.
O poder deixará o rublo flutuar, e uma vez que sua queda tenha se estabilizado, instaurará um ‘‘conselho monetário’’, o que significa uma paridade fixa com o dólar e um compromisso de não emitir um tostão a mais do que exista nos depósitos do Banco Central em ouro e moedas fortes.
A contradição entre as duas etapas do plano deixou perplexos economistas ocidentais em Moscou, que o consideram difícil de aplicar nas atuais condições.
Por sua vez, o rublo perdeu 20,77% de seu valor de sexta-feira em relação à paridade do dia anterior, sendo cotado a 16,99 por dólar.
Durante todo o dia de ontem, no qual estava prevista a ratificação ou não da designação de Chernomyrdin para o cargo de premier, os deputados prosseguiram com suas intermináveis negociações. A pedido de Yeltsin, os deputados aceitaram adiar para segunda-feira o debate na câmara baixa (Duma), dominada pelos comunistas, que são contrários à ratificação de Chernomyrdin.
O presidente russo propôs aos chefes da bancada iniciar negociações sobre a composição do futuro gabinete.
Os comunistas afirmaram que votarão contra a ratificação do primeiro-ministro interino, a quem acusam de ter levado o país à ruína.
‘‘Temos que nos colocar de acordo e apresentar um candidato aceitável. O presidente tem que retirar a candidatura de Chernomyrdin’’, disse o líder da bancada comunista, Guennadi Ziuganov.
Em oportunidades anteriores, os deputados, preocupados em preservar seus privilégios, terminaram aceitando no último momento as propostas do Kremlin para designar um novo governo.
Não obstante, desta vez, a oposição comunista, que provocou a rejeição da candidatura de Chernomyrdin na primeira votação, segunda-feira passada, poderia atrever-se a ir até às últimas consequências.

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