Roma - O novo sistema de votação para eleição do sucessor de João Paulo II foi divulgado ontem pelo Vaticano. Trata-se da nova Constituição Apostólica e foi criada pelo próprio Papa, que morreu no último sábado. A nova Constituição fará com que os cardeais agora tenham mais conforto para eleger o 263º papa desde São Pedro. Até a eleição de João Paulo II, eles passavam dias confinados na capela Sistina dormindo precariamente em poltronas, cadeiras e mesmo no chão.
Desta vez, os 117 cardeais/eleitores, e candidatos ao mesmo tempo, terão aposentos. Eles se dirigirão à capela somente para discussões e a votação em si. A previsão é de que o processo eleitoral dure no máximo 20 dias. Todos os presentes ao Conclave (dos cardeais ao mais humilde funcionário, que serve café ou faz a limpeza) terão de fazer um juramento.
Para a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a escolha do novo Papa não deve levar em conta a torcida de cada país por um nome de sua terra natal. Segundo o secretário-geral da CNBB, dom Odilo Pedro Scherer, bispo auxiliar de São Paulo, não será a ''lógica da torcida'' que norteará o próximo conclave (reunião de cardeais que vai eleger o novo Papa). ''A lógica da torcida pode até provocar um efeito contrário'', disse dom Odilo.
Ele é contra a realização de apostas para saber quem é o nome mais forte na escolha do novo Papa. ''Quem é que realiza apostas? Não é a Igreja. Estou preparado para surpresas.'' Segundo ele, existem vários bispos em condições de serem nomeados Papa. ''E seus nomes não circulam como os mais votados. Ninguém sabe quem será escolhido.''
Dom Odilo disse que os cardeais devem refletir sobre a situação da Igreja Católica no momento da escolha do novo Papa. ''Eles deverão refletir sobre a personalidade do novo Papa, sobre o perfil da pessoa mais adequada para guiar a Igreja Católica nos tempos atuais.''
A escolha do novo Papa deve ser mais longa do que aquela que escolheu o nome do então cardeal da Cracóvia, Karol Josef Wojtyla, o Papa João Paulo II. A escolha foi feita em 16 de outubro de 1978.
Segundo o secretário-geral da CNBB, dom Odilo Pedro Scherer, bispo auxiliar de São Paulo, o conclave (reunião de cardeais que vai eleger o novo Papa) que indicou o nome de Karol Josef Wojtyla foi feita apenas 33 dias após a morte de João Paulo I por ataque cardíaco. ''Foram dois conclaves em dois meses, um seguido do outro. Os princípios que regeram o conclave anterior ainda estavam bem frescos na cabeça dos cardeais'', disse dom Odilo.

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