Cidade do Vaticano - Um impressionante esquema de segurança foi articulado ontem em Roma para os funerais e o enterro de João Paulo II, que serão realizados na sexta-feira, um evento planetário do qual participarão centenas de milhares de pessoas.
As autoridades da capital italiana calcularam que entre dois e quatro milhões de fiéis, entre eles um milhão de poloneses, irão a Roma nos próximos quatro dias para dar adeus ao primeiro Papa polonês da história, com o corpo exposto, desde a tarde de ontem, na Basílica de São Pedro.
Assistirão aos funerais representantes e chefes de Estado de mais de 150 países, entre eles o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, o dos Estados Unidos George W. Bush e sua esposa Laura, o presidente da França Jacques Chirac, o rei da Espanha Juan Carlos I e o presidente mexicano Vicente Fox.
O suspense era mantido sobre a eventual visita do dirigente cubano Fidel Castro, que decretou três dias de luto nacional em seu país e autorizou pela primeira vez o cardeal Jaime Ortega a enviar mensagens pela televisão aos católicos da Ilha.
Uma bateria de mísseis e aviões militares vigiarão o céu de Roma, e o chefe da Defesa Civil italiana, Guido Bertolaso, encarregado pela União Européia de coordenar a ajuda às vítimas do maremoto de 26 de dezembro passado no sudeste aisático, foi designado pelo governo para comandar as tarefas de logística.
Centenas de barracas já estão sendo armadas para preparar o que deve ser o maior fluxo de peregrinos da história da capital italiana. Trens em horários suplementares também foram previstos.
O ministro do Interior, Giuseppe Pisanu, mobilizou 6.430 policiais, e mais de cinco mil voluntários atenderão os peregrinos. ''É como organizar o Jubileu em 48 horas'', comparou o prefeito de Roma, Walter Veltroni. O fluxo contínuo de fiéis desde sexta-feira, quando começou a agonia do Pontífice, praticamente paralisou o centro da cidade, e as chegadas às estações de trens aumentaram 30%.
As autoridades civis e militares, que trabalham em coordenação com os serviços de segurança do Vaticano, temem que o aeroporto militar de Pratica di Mare e o de Ciampino, perto de Roma, não sejam suficientes para acolher os dirigentes estrangeiros, e estão estudando a possibilidade de bloquear parcialmente o tráfego aéreo do aerporto internacional de Fiumicino.
Além disso, um importante plano para viabilizar o tráfego prevê a disponibilização de grandes estacionamentos na periferia, e de ônibus especialmente fretados para levar os fiéis à área do Vaticano.

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